contexto

O setor florestal brasileiro, com destaque para a cadeia produtiva de base florestal plantada, desempenha um papel estratégico para o desenvolvimento econômico do país e para geração de empregos diretos e indiretos. Certificações florestais reconhecidas, como o Forest Stewardship Council (FSC) e o Programa para o Endosso da Certificação Florestal (PEFC), estabelecem critérios rigorosos para garantir o respeito aos direitos humanos nas operações florestais. Esses critérios incluem a proibição de trabalho infantil e forçado, a garantia de condições de trabalho seguras e saudáveis, o respeito aos direitos dos povos indígenas e comunidades locais, e a promoção da igualdade de gênero e da não discriminação. No entanto, apesar da adoção dessas certificações e, apesar da relevância e dos avanços contínuos em tecnologia e produtividade, o setor ainda tem importantes oportunidades de evolução no aprimoramento das práticas de direitos humanos ao longo da cadeia de valor. 

Nesse cenário, a Suzano reafirma seu compromisso com o respeito e a promoção dos direitos humanos em todas as suas atividades, operações e cadeia de suprimentos. Reconhecemos nossa responsabilidade de respeitar os direitos civis, políticos, econômicos, sociais, culturais, coletivos, ao desenvolvimento, à paz e ao meio ambiente equilibrado de todas as pessoas com as quais nos relacionamos ou que possam ser impactadas por nossas atividades.

Para isso, fortalecemos continuamente a integração da gestão de riscos em direitos humanos às nossas rotinas corporativas e adotamos medidas de prevenção, mitigação e remediação de impactos adversos, em conformidade com os Princípios Orientadores das Nações Unidas sobre Empresas e Direitos Humanos (UNGPs).

Como membro do Pacto Global da ONU, a Suzano se compromete a apoiar e respeitar a proteção dos direitos humanos reconhecidos internacionalmente, assegurando a não participação em violações desses direitos. Nossos compromissos se baseiam em regulamentações vigentes e emergentes e em normas e referências internacionais, como a Carta Internacional dos Direitos Humanos da Assembleia da ONU, a Declaração da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre os Princípios e Direitos Fundamentais no Trabalho e suas oito Convenções Fundamentais, além de outros documentos globalmente tidos como referência na tratativa desse tema, como a Convenção nº 169 sobre Povos Indígenas e Tribais, da OIT, os Princípios Voluntários para Direitos Humanos e Segurança (VPSHR), as Diretrizes para as Empresas Multinacionais da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e, mais recentemente, a Diretiva de Devida Diligência em Sustentabilidade Corporativa (CSDDD, na sigla em inglês) e o Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR, na sigla em inglês).

Como premissa fundamental, garantimos o cumprimento das regulamentações nacionais e internacionais aplicáveis em todos os países onde operamos e buscamos ir além das exigências legais, estruturando uma governança dedicada exclusivamente ao tema de direitos humanos. Essa governança conta com especialistas internos, grupos técnicos interdisciplinares e o envolvimento da alta liderança, assegurando que o tema esteja integrado à estratégia de sustentabilidade e às decisões de negócio.

Nos últimos anos, a Suzano vem aprimorando seus processos de devida diligência em direitos humanos, ampliando a análise de riscos e o monitoramento em campo, além de implementar um mecanismo formal de remediação e fortalecer seus canais de escuta e suporte. Também conduzimos ações de engajamento com comunidades e povos indígenas e tradicionais, iniciativas de formação de parceiros e fornecedores, e programas voltados à prevenção da violência de gênero e promoção do trabalho decente.

Adicionalmente, a Suzano assume o compromisso com ações de promoção de direitos humanos, buscando ampliar os impactos positivos decorrentes de sua atuação e ser protagonista na transformação de sua cadeia de valor e da sociedade.

 

1. Compromissos voluntários, fóruns e parcerias

No final de 2024, a Suzano, em parceria com o Pacto Global – Rede Brasil e a Organização Internacional do Trabalho (OIT), assumiu a liderança de um projeto setorial inédito voltado à promoção das melhores práticas de Devida Diligência em Direitos Humanos (DDDH) nas empresas do setor florestal.
A iniciativa alia a escuta ativa e o apoio direto a trabalhadores e trabalhadoras rurais, fortalecendo a capacidade do setor em promover o trabalho decente e prevenir violações de direitos humanos.

Entre os resultados esperados, destacam-se:

  1. Fortalecimento da cadeia produtiva florestal por meio da implementação de processos consistentes de DDDH, da promoção do trabalho decente e da eliminação de práticas análogas à escravidão, impulsionados pelos debates e aprendizados do Grupo de Trabalho (GT) Florestal.
  2. Ampliação do acesso a mecanismos de escuta e remediação, via Nossa Voz, oferecendo respostas efetivas e baseadas no diálogo social – criando um modelo replicável para cadeias produtivas brasileiras.

 

Grupo de Trabalho (GT) Florestal em Direitos Humanos

Lançado em novembro de 2024, o GT Florestal é coordenado pelo Pacto Global da ONU – Rede Brasil, com apoio da OIT e liderança ativa da Suzano. Estruturado como um espaço permanente de cooperação setorial, o grupo reúne empresas e organizações para fortalecer a agenda de direitos humanos e trabalho decente no setor florestal. Seus encontros incluem formações técnicas, rodas de conversa e capacitações destinadas à alta liderança, fornecedores diretos e indiretos, promovendo um ambiente colaborativo de aprendizagem e construção de soluções. 

Entre seus principais objetivos, destacam-se: o desenvolvimento de uma metodologia setorial de Devida Diligência em Direitos Humanos; o apoio à implementação de mecanismos de reclamação alinhados aos Princípios Orientadores da ONU; a consolidação de recomendações e boas práticas; e a construção participativa do futuro Pacto Setorial pela Sustentabilidade Social e pelo Trabalho Decente.

Desde o lançamento da iniciativa, já foram alcançados avanços importantes, incluindo a formação de 30 fornecedores em Direitos Humanos e Trabalho Decente, o treinamento de 13 representantes de empresas em DDDH e a realização de sete encontros setoriais, que reuniram em média 34 representantes por sessão. Para 2026, está prevista a publicação do Pacto Setorial, documento que apresentará diretrizes e ações de alto impacto para fortalecer a agenda social e promover condições de trabalho decente em toda a cadeia florestal.

Além disso, as empresas do GT Florestal contam com o apoio do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), por meio do Programa Trabalho Sustentável, para formar e capacitar trabalhadores em temas relacionados ao trabalho decente. Essa colaboração reforça o compromisso da companhia com o desenvolvimento humano, o fortalecimento institucional e a promoção de relações laborais pautadas pelo respeito e pela dignidade.

 

Nossa Voz Florestal

A Suzano está implementando o Nossa Voz Florestal como projeto-piloto na Bahia e no Espírito Santo, com o objetivo de fortalecer o diálogo social e prevenir riscos trabalhistas e de direitos humanos na cadeia florestal. Construída de forma participativa, a iniciativa contou com a consulta a 61 trabalhadores(as) para adequação da ferramenta às suas necessidades e incluiu a capacitação de 130 servidores públicos municipais, contribuindo para o fortalecimento institucional dos municípios e, consequentemente, para uma cadeia produtiva mais robusta e responsável. Nesse primeiro ciclo, mais de 589 trabalhadores(as) que atuam ao longo da cadeia de valor da Suzano receberam a formação no Nossa Voz.

O Nossa Voz Florestal é um mecanismo de reclamação acessível, gratuito e independente, disponível principalmente via WhatsApp, que permite o relato seguro de preocupações. Sob supervisão da Organização Internacional do Trabalho (OIT), o sistema atua como alerta precoce para identificar e mitigar riscos de trabalho infantil, forçado e violações à liberdade de associação, reforçando o compromisso da Suzano com o engajamento colaborativo, as iniciativas multissetoriais e o fortalecimento do diálogo social, especialmente com trabalhadores rurais em áreas remotas, terras arrendadas e fornecedores florestais.

 

O programa atua engajando colaboradores próprios e terceiros, profissionais da rede de proteção, moradores das comunidades e organizações locais. Suas estratégias incluem formação de multiplicadores, parcerias com instituições de referência, articulação intersetorial, conexão de iniciativas existentes nos territórios e fortalecimento dos serviços públicos.

Em 2025, o Programa Agente do Bem realizou diversas ações e eventos, tais como:

  • Campanha Maio Laranja (todas as unidades), com mais de 4.000 colaboradores engajados.
  • Combate ao feminicídio (MS), com mentoria e capacitação de multiplicadores.
  • Combate ao trabalho infantil (MS), com mobilização e formação de multiplicadores.
  • Dia do Motorista (MS, SP, BA e MAPATOCE), com 580 colaboradores engajados.
  • Campanha Agosto Lilás – Lei Maria da Penha (todas as unidades), com mais de 1.000 colaboradores participantes.
  • Campanhas de enfrentamento à exploração sexual e ao tráfico humano (todas as unidades).
  • Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho (MS).
  • Campanha Todos Por Elas, mobilizando cerca de 3.000 colaboradores no MS (1.800 em Três Lagoas e 1.200 em Ribas do Rio Pardo) e repactuação de acordo de cooperação com o Tribunal de Justiça do MS e a Prefeitura de Ribas do Rio Pardo, com foco na proteção de crianças, adolescentes e mulheres.

O programa conta com multiplicadores que atuam como aliados estratégicos, disseminando as ações em suas áreas e unidades, promovendo escuta ativa e orientações sobre como agir em casos reais ou potenciais de violação de direitos. Esses multiplicadores recebem suporte por meio de treinamentos, capacitações, rodas de conversa e canais internos de comunicação.

A Suzano também integra a Plataforma Elos do Brazil2Equal, iniciativa do International Finance Corporation (IFC) com apoio do Governo do Japão, voltada à promoção da equidade de gênero, diversidade e inclusão no ambiente corporativo e nas cadeias produtivas. A partir dessa participação, a companhia colabora no desenvolvimento de planos de ação e práticas transformadoras que ampliam o protagonismo das mulheres na economia da transição, fortalecem a integração de gênero nas estratégias climáticas e promovem ambientes inclusivos e resilientes.

Por meio da parceria com a Childhood Brasil, a Suzano promoveu campanhas e formações para públicos interno e externo. Em Ribas do Rio Pardo (MS), houve articulação intersetorial e fortalecimento da rede local de proteção, resultando na consolidação dos Fluxos de Atendimento Integrado para proteção de crianças, adolescentes e mulheres vítimas de violência, conectando-se ao Conselho Municipal dos Direitos das Crianças, Adolescentes e Mulheres. Essa iniciativa é monitorada pelo indicador “Programas Sociais da Suzano”.

A empresa também participou do 19º Encontro Anual Na Mão Certa – Comunidade Na Mão Certa, espaço de aprendizagem e troca de boas práticas contra a exploração e a violência sexual de crianças e adolescentes nas rodovias brasileiras. A Suzano é signatária do Pacto Empresarial contra a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes nas Rodovias Brasileiras desde 2021 e vem sendo reconhecida anualmente pelo cumprimento das ações e plano de engajamento previstos. Este reconhecimento, agora em 2025 como mantenedora prata do Programa Na Mão Certa (PNMC reforça o compromisso e atuação ativa das unidades da companhia em diferentes estados. Na ocasião, a empresa recebeu um troféu e um certificado que simbolizam sua parceria e compromisso contínuo com a causa.

 

2. Governança em Direitos Humanos

A Suzano adota uma governança de direitos humanos robusta, integrada à sua estrutura de Sustentabilidade. Uma equipe especializada, vinculada à Vice-Presidência de Sustentabilidade, Comunicação e Marca, dedica-se integralmente à estratégia e aos compromissos de direitos humanos, assegurando a transversalidade das ações e o alinhamento com regulamentações e compromissos corporativos. 

A estrutura de governança conta com uma equipe especializada dedicada à Estratégia de Direitos Humanos, apoiada por um Comitê de Direitos Humanos, que se reúne a cada dois meses, com representação multidisciplinar de mais de 16 áreas da companhia. Esse Comitê oferece orientação estratégica, supervisiona decisões críticas e acompanha a implementação de ações corretivas, garantindo que a gestão seja eficiente, abrangente e alinhada às melhores práticas internacionais. O Programa de Gestão Responsável de Fornecedores também integra essa estrutura, com supervisão conjunta das áreas executivas de Sustentabilidade e Compras, que deliberam trimestralmente sobre iniciativas ESG e avanços na gestão da cadeia de valor.

Os Departamentos e Unidades Operacionais desempenham papel fundamental na execução das ações sob sua responsabilidade. Cabe a essas áreas adotar medidas corretivas, aplicar as ferramentas de gestão de direitos humanos e reportar regularmente seus avanços ao Comitê e à Diretoria. Essa integração assegura que as políticas e práticas de direitos humanos estejam harmonizadas em todos os níveis da organização.

Como parte desse processo, são desenvolvidas ferramentas específicas de monitoramento, capazes de medir a eficácia das ações, identificar lacunas e apoiar a revisão contínua dos processos de gestão. Essa abordagem dinâmica permite que a Suzano aprimore sua estratégia de forma constante e fortaleça seus esforços de prevenção, mitigação e remediação.

A estrutura de governança tem como objetivos principais fortalecer a integração entre áreas, garantir o alinhamento das operações com legislações e referências internacionais, aprimorar continuamente os processos internos para assegurar conformidade regulatória, mitigar riscos e ampliar impactos positivos em toda a cadeia de valor. Assim, consolida-se uma cultura organizacional em que sustentabilidade, trabalho decente e direitos humanos são pilares fundamentais.

Para 2025, a Suzano definiu metas corporativas e avançou de forma consistente na consolidação de sua governança em Direitos Humanos, fortalecendo processos internos, ampliando a devida diligência e estruturando o sistema de gestão de riscos alinhado aos Princípios Orientadores da ONU. 

 

3. Devida Diligência em Direitos Humanos (DDDH)

Para cumprir a responsabilidade de respeitar os direitos humanos, conforme os Princípios Orientadores da ONU, a Suzano tem aprimorado continuamente seu processo de Devida Diligência em Direitos Humanos (DDDH), operacionalizado por meio de um sistema de gestão abrangente capaz de identificar, prevenir, mitigar e, quando necessário, remediar impactos adversos. 

Desde 2022, quando iniciamos nossa jornada estruturada de devida diligência em direitos humanos, avançamos de forma contínua para fortalecer a integração desse tema em nossas operações e cadeia de valor. Naquele ano, com o apoio de uma consultoria especializada, realizamos o primeiro mapeamento de riscos de direitos humanos relacionados às nossas atividades. Em 2024, conduzimos uma nova avaliação, também junto à especialistas externos em direitos humanos, para adequar nossas práticas às legislações nacionais e internacionais emergentes, incluindo a Corporate Sustainability Due Diligence Directive (CSDDD).

Esse processo resultou na revisão de nossas práticas, na atualização dos processos internos e no fortalecimento da governança de direitos humanos. Em 2025, consolidamos essa evolução com a implementação da Estratégia de Direitos Humanos da Suzano, composta por mais de 165 planos de ação que orientam nossa atuação no curto (2025), médio (2026–2027) e longo prazo (2028–2030).

Esses planos estruturam o Plano Diretor Anual de Direitos Humanos, que organiza as principais entregas, atividades, responsáveis e validadores, garantindo coerência, acompanhamento e integração com a governança corporativa.

Nosso processo de Devida Diligência em Direitos Humanos (DDDH) integra a Política Corporativa de Direitos Humanos, processos sistemáticos de identificação, avaliação e gestão de riscos com foco em grupos potencialmente vulneráveis, mecanismos de diálogo social e engajamento que asseguram participação significativa das partes interessadas, canais de reclamação e remediação alinhados aos critérios de eficácia dos UNGPs e um sistema integrado de monitoramento e reporte que reforça a transparência e a melhoria contínua. 

Compromisso Público, Políticas e Procedimentos

A Suzano reafirma seu compromisso com o respeito e a promoção dos direitos humanos em todas as suas operações e cadeia de valor por meio da Política Corporativa de Direitos Humanos, originalmente desenvolvida em 2020 e revisada em 2025. O documento reflete os valores da companhia e sua responsabilidade com a sociedade, consolidando princípios e diretrizes que orientam nossas práticas.

A Política também identifica os direitos humanos com maior potencial de impacto negativo relacionados às nossas atividades, com base em uma avaliação de riscos conduzida por especialistas externos e validação de especialistas internos. O processo de revisão foi colaborativo e orientado por evidências, envolvendo mais de 16 áreas da companhia e o uso de triangulação de dados, metodologia que integra diferentes fontes e perspectivas para ampliar a consistência das análises e fortalecer a base das decisões adotadas.

Entre os temas salientes de direitos humanos destacados estão: garantia de condições de trabalho decente em nossas operações e cadeia de valor; prevenção ao trabalho infantil, ao trabalho forçado e ao tráfico de pessoas; respeito aos direitos de povos indígenas e comunidades tradicionais; proteção de comunidades locais, defensores e defensoras de direitos humanos, bem como do direito à saúde, ao meio ambiente saudável e aos serviços ecossistêmicos; segurança patrimonial, direito à terra e direitos das comunidades na cadeia de valor.

A Política e suas atualizações foram aprovadas pela Vice Presidência. O documento é disponibilizado nos principais idiomas dos países em que a Suzano atua, sendo os compromissos aplicados a todas as operações, lideranças, colaboradores(as) e trabalhadores(as) terceirizados no Brasil e no exterior. Esperamos que todos os parceiros da empresa respeitem os direitos humanos em seus negócios e sigam os princípios e as diretrizes dessa política.

Complementarmente, a Suzano mantém um Manual Interno de Devida Diligência em Direitos Humanos e conduz uma frente contínua de integração dos princípios da política aos principais documentos, procedimentos e processos corporativos. Como parte desse esforço, foi desenvolvida uma biblioteca que consolida 163 documentos internos relacionados aos temas salientes de direitos humanos, apoiando a padronização e o fortalecimento da gestão em toda a companhia.

 

Gestão de Riscos e Impactos em Direitos Humanos

A Suzano reconhece que os impactos nos direitos humanos são intrínsecos aos riscos sociais e ambientais de suas atividades. Esses impactos são mapeados periodicamente nas nossas operações e cadeias de valor.

A estrutura da matriz de impactos socioambientais é um dos pilares centrais desse processo. Atualizada anualmente e desenvolvida por grupos multidisciplinares, a Matriz de Aspectos e Impactos Sociais considera oito critérios qualitativos e quantitativos para identificar, avaliar e priorizar impactos. Esse processo foi revisado em 2024 para incorporar métodos e estruturas específicas de direitos humanos, alinhados às melhores práticas internacionais.

Esse trabalho é, ainda, alimentado pelos mecanismos de engajamento com partes interessadas, incluindo monitoramentos específicos e programas como o Diálogo Operacional/Agenda Presencial para a comunidade, bem como programa de avaliação contínua e engajamento com fornecedores, trabalhadores e trabalhadoras. Os processos incluem ferramentas como o sistema de gestão de relacionamento, conhecido como Sistema de Partes Interessadas “Relacione+”, que possibilita a retroalimentação do fluxo de identificação e avaliação para a composição da matriz.

Além disso, o Canal de Denúncia da empresa é terceirizado, independente, garante o anonimato e a confidencialidade. O tratamento da denúncia é sigiloso e possui mecanismos de não retaliação em casos reportados, enquanto a metodologia de Diálogo Operacional antecipa riscos sociais e ambientais em operações florestais, industriais e portuárias. Tal abordagem busca assegurar uma retroalimentação constante da Matriz de Aspectos e Impactos Sociais. A partir desse fluxo, promovemos ações de prevenção, mitigação, correção e/ou reparação de impactos adversos aos direitos humanos, além de potencializar os efeitos benéficos para a sociedade.

Em 2025, a Suzano aprimorou sua gestão de riscos em direitos humanos por meio do desenvolvimento de uma nova metodologia de avaliação, construída com especialistas externos e baseada na triangulação de dados e em referências internacionais. A abordagem reforça a identificação e priorização de riscos reais e potenciais considerando incidência, escala, escopo, remediabilidade e probabilidade.

A metodologia foi testada em um projeto-piloto na Unidade de Ribas do Rio Pardo, que envolveu a revisão de 21 documentos institucionais e a análise de mais de 10 processos corporativos, resultando na identificação e definição de 25 riscos de direitos humanos alinhados a normas internacionais, tipos de operação e detentores de direitos. Como resultado, criamos uma matriz 4x4 de classificação de riscos, um guia de replicação e um relatório de recomendações, que servirão de base para a expansão às demais unidades. A metodologia abrange operações florestais, industriais, de construção, logística e cadeia de valor, e foi acompanhada da elaboração de um guia de replicação e de um relatório de recomendações que sustentam sua expansão. 

A gestão de medidas para mitigar os impactos aos direitos humanos mapeados é integrada às rotinas e responsabilidades de diferentes departamentos da Suzano. Seja através das rotinas de Gente e Gestão (recursos humanos), da gestão de temas ambientais, das iniciativas de ecoeficiência, dos processos de compras e fornecedores ou no nosso engajamento contínuo com as partes interessadas, nossas equipes identificam e monitoram continuamente os riscos sociais e ambientais que podem ter conexão com os direitos humanos.

Para prevenir, mitigar e/ou reparar impactos reais e potenciais causados por suas operações, a Suzano determina em sua Matriz de Aspectos e Impactos Sociais medidas que sejam equivalentes à proporção dos impactos, de forma a promover recomendações e ações adequadas para a realização das atividades, além de subsidiar a materialidade na tomada de decisões.

Todas as ocorrências relacionadas à reparação e/ou remediação de impactos em direitos humanos das comunidades e partes interessadas são gerenciadas seguindo as diretrizes e os procedimentos descritos nos documentos de Procedimento de Gestão de Ocorrência de Partes Interessadas e no Procedimento de Identificação e Avaliação de Aspectos e Impactos Socioambientais, registrados no Relacione+.

É importante destacar que nossas operações são anualmente avaliadas por auditores externos independentes em relação aos requisitos das certificações florestais, que também abordam temas relevantes para nossas atividades florestais vinculados aos direitos humanos e aos Princípios Fundamentais da OIT. Saiba mais no indicador “Número total e porcentagem de fornecedores que passaram por avaliação ambiental e social”.

 

Capacitação e Formação

A Suzano mantém uma abordagem estruturada de capacitação para garantir que todas as pessoas estejam aptas a desempenhar suas funções de forma segura e alinhada aos compromissos corporativos em direitos humanos. Nossa matriz de treinamentos obrigatórios assegura a atualização contínua sobre deveres, responsabilidades e direitos no trabalho, enquanto ações específicas fortalecem a integração dos princípios dos UNGPs em nossas operações.

Um dos elementos centrais dessa formação obrigatória é o Treinamento no Código de Ética e Conduta, que posiciona os direitos humanos como um pilar fundamental da atuação corporativa. O Código orienta comportamentos, decisões e relações, reforçando que o respeito aos direitos humanos é uma responsabilidade individual e inegociável. Ao incorporar esse tema de forma estruturante, o treinamento garante que cada colaborador(a) compreenda seu papel na prevenção de impactos, na promoção de ambientes de trabalho seguros e inclusivos e na condução ética das operações.

Além desse treinamento obrigatório, a Suzano promove sensibilizações específicas sobre direitos humanos e devida diligência. Em 2025, 320 profissionais foram treinados em temas como processos de DDDH e novas regulamentações internacionais. Também avançamos na formação das equipes responsáveis pelas certificações florestais, com foco nos requisitos sociais do Novo Padrão de Manejo Florestal do FSC, promovendo convergência entre normas voluntárias e regulatórias.

Para fortalecer nossas práticas de trabalho decente e orientar decisões com base em metodologias internacionalmente reconhecidas, realizamos seis workshops especializados sobre salário digno, conduzidos pelo Anker Research Institute (ARI), CEBRAP e Social Accountability International (SAI), envolvendo equipes de Gente & Gestão e Desenvolvimento Social.

Com foco em fornecedores e trabalhadores(as) terceiros(as), em 2025, realizamos a Turnê de Conscientização Socioambiental, iniciativa criada pelo time de Suprimentos para apresentar conceitos e boas práticas de governança em direitos humanos e meio ambiente, reforçando o compromisso estratégico da Suzano com a redução de riscos e a implementação da devida diligência em direitos humanos e trabalho decente, além do fortalecimento da parceria com nossos fornecedores. Para isso, lançamos novos materiais de apoio, como a atualização do Código de Conduta do Fornecedor, o Manual de Direitos Humanos e as Regras de Ouro, que servirão de referência para toda a cadeia de valor. A Turnê passou pelos estados de ES, BA, MA, MS e SP, reunindo mais de 120 fornecedores e 250 pessoas. Além disso, por meio da parceria em direitos humanos com o Pacto Global da ONU, a OIT e a IBÁ, capacitamos 30 fornecedores do setor em temas relacionados ao trabalho decente, ampliando o alcance e o impacto de nossa atuação na proteção dos direitos humanos.

Saiba mais nos indicadores ”Número total de horas de treinamento e número total e porcentagem de colaboradores e colaboradoras treinados em políticas e práticas de direitos humanos”, “Gestão responsável de fornecedores” e “Equipe de segurança treinada em políticas ou procedimentos relativos a direitos humanos, por tipo de operação”.

Em relação à Comunicação e Reportes, a Suzano publica dados e informações relevantes sobre sua gestão de riscos e impactos em direitos humanos através de diferentes canais, tais como os indicadores sobre gestão de direitos humanos na nossa Central de Sustentabilidade, relatório anual, certificações e plano de manejo sobre as operações da empresa, disponíveis em nosso website.

 

Canais de Diálogo e Mecanismos de Reclamação e Reparação

A Suzano valoriza a transparência nas suas relações com os diversos públicos de interesse e, por isso, adota um processo estruturado de recebimento, avaliação, resposta e acompanhamento de manifestações relacionadas a suas atividades e seus produtos.

Para os públicos interno e externo, disponibilizamos um Canal de Denúncia, que assegura confidencialidade e tratamento sigiloso para qualquer questão apresentada, incluindo demandas relacionadas a direitos humanos. Essa ferramenta também abrange, mas não se limita, a casos de violação ao Código de Ética e Conduta, à Política Corporativa de Direitos Humanos, à Política Anticorrupção, à Política Pública de Segurança da Informação e à Política de Diversidade e Inclusão. As denúncias podem ser feitas pelo telefone 0800 771 4060 (Brasil), pelo aplicativo da Contato Seguro ou pelo site da Contato Segurocom alcance em todas as regiões onde a empresa opera.

O gerenciamento das denúncias ocorre por meio de um sistema informatizado de empresa parceira. Após o recebimento da denúncia, inicia-se um processo de apuração com prazo médio de 30 dias. Os resultados são submetidos às áreas competentes, que avaliam as medidas corretivas e os planos de ação. 

Entre as principais categorias de denúncias recebidas estão comportamentos inadequados, fraudes, condições de trabalho, questões trabalhistas, saúde e segurança, e segurança da informação. Após apuração, as ações podem incluir advertências, suspensões ou desligamentos. Trimestralmente as informações do canal de denúncias são reportadas para o comitê de Gestão de Conduta que é composto pela alta liderança¹ responsável por assessorar as tomadas de decisão provenientes dos encerramentos das apurações. Saiba mais em “Gestão do Código de Ética e Conduta”.

A Suzano também dispõe de diversos mecanismos de diálogo com partes interessadas que retroalimentam sua análise de impactos e riscos em direitos humanos:

  • Diálogo Operacional: metodologia para antecipar e prevenir riscos sociais em operações florestais, industriais e portuárias, por meio de interação com comunidades, lideranças locais e autoridades públicas;
  • Agendas presenciais: reuniões periódicas entre os ciclos operacionais, focadas em manter o diálogo e identificar questões relevantes;
  • Escuta e engajamento comunitário: procedimentos para prevenir riscos, fortalecer vínculos de longo prazo e tratar questões específicas de comunidades tradicionais;
  • Fale Conosco (comunidades e partes interessadas): canal de comunicação em 0800, distribuído regionalmente nas operações, que concentra seus registros no sistema Relacione+, o qual gerencia ocorrências de vizinhos, vizinhas, comunidades locais e povos indígenas e tradicionais, registrando e monitorando todas as manifestações recebidas;
  • Programa Floresta Viva: iniciativa para prevenir e combater incêndios florestais, protegendo a biodiversidade e comunidades vizinhas às operações.
  • Nossa Voz:  implementado em fase piloto na Bahia, é o mecanismo de diálogo, reclamação e reparação da Suzano voltado a trabalhadores(as) em áreas remotas, terras arrendadas e operações de fornecedores. O canal é gratuito, independente e acessível, garantindo confidencialidade e proteção contra retaliações, em conformidade com os Princípios Orientadores da ONU. Desenvolvido com supervisão técnica da OIT, funciona como um sistema de alerta precoce para identificar e mitigar riscos trabalhistas e de direitos humanos, orientando ações preventivas e corretivas. Em 2025, 61 trabalhadores foram consultados para aprimorar o mecanismo, contribuindo para ajustes de acessibilidade, comunicação e fluxo de tratamento de casos. Esse envolvimento direto das pessoas impactadas reforça o caráter centrado no(a) titular de direitos e o compromisso da Suzano em manter instrumentos eficazes de reparação e melhoria contínua.

Por meio do Relacione+, todos os contatos e tratativas relacionados à reparação de perdas e danos decorrentes das atividades da Suzano são registrados, reforçando a responsabilidade da companhia na proteção dos direitos humanos e no atendimento às comunidades afetadas.

A Suzano repudia qualquer tipo de represália contra pessoas ou grupos que levantem preocupações sobre impactos adversos reais ou potenciais aos direitos humanos. Preconizamos um ambiente em que os detentores e detentoras desses direitos se sintam seguros para levar suas preocupações aos representantes da companhia.

 

3.1. Temas salientes de Direitos Humanos

Na estratégia de Direitos Humanos da Suzano, e a partir dos resultados dos processos de devida diligência em direitos humanos e do mapeamento de riscos, definimos nossos temas salientes, entendidos como aqueles que exigem maior atenção e esforço e que orientam o estabelecimento e a implementação das medidas de mitigação de impactos adversos.

A Suzano está comprometida em seguir a hierarquia de mitigação para cessar, minimizar, reparar e remediar impactos adversos. Esse compromisso inclui a tomada proativa de ações, garantindo soluções justas e equilibradas, priorizando consensos e consultando, se necessário, órgãos de conciliação.

Além de reconhecer que nossas operações e nossa cadeia de valor podem conter riscos relacionados aos direitos humanos, buscamos ser um agente de transformação positiva. Nesse sentido, a empresa tem implementado iniciativas que contribuem diretamente para a diminuição da pobreza, o impulso à educação, a promoção da diversidade, equidade e inclusão, o combate à crise climática, o equilíbrio ecológico e a conservação da biodiversidade, entre outros aspectos.

Mantemos ainda programas estruturados de engajamento comunitário, capacitações internas e para parceiros, além de processos e documentos de gestão que abordam diretamente os direitos humanos. Muitas dessas ações estão conectadas aos nossos temas salientes, orientando a criação de valor compartilhado e reforçando nosso compromisso com transparência de dados e a proteção e promoção dos direitos humanos.

Nossos temas salientes integrados foram definidos a partir do processo estruturado de gestão de riscos em direitos humanos, que combina análises internas, referências externas e a contribuição de especialistas no tema. Esse processo permitiu identificar os impactos mais relevantes e orientar prioridades de prevenção, mitigação e remediação. A seguir, apresentamos os temas salientes resultantes desse trabalho¹:

 

Trabalho decente nas Operações e Cadeia de Suprimentos

A Suzano está comprometida em assegurar condições de trabalho decentes, seguras e justas em todas as suas operações e em sua cadeia de valor, em conformidade com as Convenções da OIT, com seu Código de Ética e Conduta e com os princípios internacionais de direitos humanos. Nosso compromisso inclui tolerância zero ao trabalho forçado, tráfico de pessoas, servidão por dívida, trabalho infantil, jornadas exaustivas, condições degradantes ou qualquer forma de coerção.

Promovemos ambientes de trabalho saudáveis e seguros, com foco na prevenção de acidentes e doenças ocupacionais, incentivando a cultura de segurança e o reporte contínuo de incidentes, riscos e oportunidades de melhoria. Também garantimos o respeito à liberdade de associação e à negociação coletiva, mantendo relações transparentes e colaborativas com entidades sindicais.

A empresa reforça seu compromisso com diversidade, equidade e inclusão, assegurando um ambiente livre de discriminação e promovendo respeito e igualdade de oportunidades para todas as pessoas colaboradoras e trabalhadoras terceiras. 

Devido às operações florestais da Suzano, a cadeia de suprimentos está distribuída num largo território, com contatos com comunidades locais. A Política de Compras Sustentáveis incorpora aspectos de direitos humanos, e o Código de Conduta do Fornecedor define expectativas e padrões claros para os parceiros comerciais, incluindo requisitos explícitos sobre direitos humanos e conformidade ambiental, consolidando a política de sustentabilidade da Suzano em sua cadeia de valor. Em 2025, lançamos o Manual de Direitos Humanos e o e-book Regras de Ouro, a fim de compartilhar conceitos e boas práticas relacionadas a direitos humanos e impactos socioambientais e reforçar o compromisso da Suzano com sua cadeia de suprimentos.

As categorias de fornecedores são avaliadas em relação a riscos de direitos humanos e meio ambiente. Os possíveis fornecedores realizam uma autoavaliação inicial, seguida de análise documental e jurídica para verificar sua elegibilidade com base na conformidade legal prévia à sua autorização para contratação.

Conforme o risco e a atividade a ser executada, o fornecedor poderá ser avaliado em temas de saúde e segurança e de práticas trabalhistas. De acordo com a categoria do risco, os fornecedores são avaliados em temas específicos de direitos humanos, por meio de ferramentas que buscam identificar controvérsias e alegações de impactos em direitos humanos, e/ou são avaliados por auditoria externa, realizada por uma empresa especializada contratada para esse fim. Saiba mais no indicador “Gestão responsável de fornecedores”.

Os fornecedores de madeira e demais públicos dessa cadeia são monitorados por meio de auditorias de primeira, segunda e terceira parte, performardas anualmente para verificação das operações florestais perante a legsilação aplicável e boas práitcas socioambientais exigidas nas normas de certificação florestal FSC e PEFC, como o FSC-STD-40-005, PEFC 2002:2020 e Análise Nacional de Risco FSC (FSC-NRA-BR), além de cláusulas contratuais que refletem os compromissos de sustentabilidade da empresa.

O padrão FSC-STD-40-005, aplicável ao recebimento de madeira não certificada, conhecida como “madeira controlada”, exige a implementação de um sistema de devida diligência para identificar e mitigar riscos, incluindo questões relacionadas a direitos humanos e impactos sobre grupos vulneráveis, prevenindo o recebimento de materiais de fontes inaceitáveis.

No âmbito setorial, em parceria com o Pacto Global – Rede Brasil, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e com apoio estratégico da Indústria Brasileira de Árvores (IBÁ), a Suzano liderou em 2025 a criação do Grupo de Trabalho Florestal (GT). O GT busca promover o trabalho decente em toda a cadeia florestal por meio do desenvolvimento de uma metodologia setorial de Devida Diligência em Direitos Humanos (DDDH), capacitação de empresas, disseminação de boas práticas, implementação de mecanismos de reclamação alinhados aos UNGPs e construção participativa do futuro Pacto Setorial pela Sustentabilidade Social e pelo Trabalho Decente.

Saiba mais em “Gestão da saúde e segurança ocupacional”, “Gestão de relações trabalhistas”, “Gestão Responsável de Fornecedores” e “Direito de exercer a liberdade de associação e a negociação coletiva, risco de trabalho infantil e trabalho forçado e/ou análogo à escravidão nas operações e fornecedores”.

 

Meio ambiente saudável, Transição Justa e Serviços ecossistêmicos

A Suzano reconhece o direito de todos a um meio ambiente saudável e integra a sustentabilidade ao seu modelo de negócios, avançando no mapeamento de impactos, dependências e riscos socioambientais. Com base nesse entendimento, direcionamos nossas ações para fortalecer a resiliência dos territórios, conservar a biodiversidade, ampliar a disponibilidade hídrica e reduzir emissões e resíduos, em linha com as metas e iniciativas do nosso Plano de Ação para a Transição Climática (CTAP) e com nossa Política de Desmatamento Zero. 

Reconhecemos a interdependência entre os temas de natureza, carbono e direitos humanos, e, por isso, adotamos boas práticas na proteção da biodiversidade, melhorando nossos conhecimentos sobre impacto e dependência na natureza e nos serviços ecossistêmicos, com a redução da captação de água, além de aumentar a disponibilidade hídrica em bacias hidrográficas consideradas críticas em nossas áreas de atuação.

Compreendendo que uma transição justa e equitativa para uma economia de baixo carbono exige um olhar atento para as pessoas e as comunidades, especialmente as mais vulneráveis, a Suzano adota uma estratégia de desenvolvimento social nas áreas vizinhas às operações da companhia. Por isso, evoluímos na integração entre Clima, Direitos Humanos, Diversidade, Equidade e Inclusão e Desenvolvimento Social, construindo uma abordagem corporativa compartilhada sobre Transição Justa. Em 2025, essa estratégia foi reforçada por meio do Plano de Ação para a Transição Climática (CTAP), que detalha como a empresa está reduzindo suas emissões diretas e da cadeia de valor, adotando tecnologias limpas, promovendo eficiência nos processos e substituindo combustíveis fósseis por fontes renováveis. Saiba mais em “Programas sociais da Suzano” e “Mudanças climáticas na Suzano”.

 

Comunidades locais e defensores de direitos humanos

O processo de relacionamento com comunidades vizinhas tem duas grandes finalidades: manter a Licença Social para Operar da Suzano e promover o desenvolvimento social. É fundamental  para o alcance da Licença Social para Operar que seja construído um relacionamento social maduro, coerente e consistente com as comunidades vizinhas. Para alcançar esses objetivos, é fundamental garantir uma comunicação constante e transparente com associações e cooperativas locais, ONGs, vizinhos e vizinhas isolados, sindicatos, municípios, Estados e outras empresas, fortalecendo a nossa posição e reputação, além de assegura a estabilidade e continuidade das atividades, refletindo nosso compromisso com uma gestão sustentável e responsável.

A companhia monitora os impactos sociais benéficos e adversos decorrentes de suas atividades nas comunidades vizinhas a suas operações, assim como executa medidas de mitigação mais adequadas para cada um dos casos. O plano de monitoramento e avaliação social da Suzano tem como objetivo avaliar a eficiência e a eficácia das estratégias de relacionamento e de investimentos socioambientais adotadas, bem como monitorar e avaliar os processos e as ações de minimização de riscos sociais associados às operações da empresa (impactos e demandas). Estes são os procedimentos e políticas internas:

  • Política Corporativa de Direitos Humanos: consolida o compromisso da Suzano em respeitar e promover esses direitos em todas as operações e na cadeia de valor. Ela orienta a condução de processos sólidos de devida diligência, garantindo a identificação, prevenção e mitigação de riscos, a redução de impactos adversos e a ampliação de impactos positivos. A política também estabelece diretrizes e orientações claras para que todas as áreas da empresa atuem de forma alinhada aos princípios internacionais de direitos humanos e à gestão responsável dos riscos e oportunidades. Saiba mais em “Política Corporativa de Direitos Humanos”.
  • Identificação e avaliação de aspectos e impactos sociais: este procedimento estabelece processos e um modelo de gestão para identificar, avaliar e classificar os aspectos e impactos socioeconômicos e ambientais decorrentes das atividades da Suzano. Ao mesmo tempo, adota a hierarquia de mitigação para prevenir, mitigar, reparar e/ou remediar os impactos adversos por meio de práticas de manejo, investimentos socioambientais e ações contínuas de controle, que são incorporadas aos procedimentos operacionais do sistema de gestão da empresa. Saiba mais em “Gestão de impactos sociais”.
  • Manual de Gestão do Relacionamento com Comunidades e Vizinhos: tem o objetivo de definir as diretrizes e a estratégia de relacionamento da Suzano, assegurando a legitimidade social de seu negócio, por meio do fortalecimento no longo prazo da interação com as comunidades vizinhas e da integração de seus interesses na condução e gestão do negócio. O relacionamento com comunidades vizinhas fundamenta-se em um diálogo transparente, no respeito aos direitos humanos, valores econômicos, sociais e culturais, e no reconhecimento do protagonismo e da autonomia de todas as partes envolvidas, alinhando-se aos princípios da nossa Política Corporativa de Direitos Humanos. Saiba mais em “Mecanismos de engajamento” e “Programas sociais da Suzano”;
  • Política de Investimentos Socioambientais e Doações: na Suzano, o investimento socioambiental e institucional e as doações são ferramentas estratégicas fundamentais para criar valor compartilhado, promovendo o desenvolvimento sustentável nas comunidades e regiões em que a empresa atua. Alinhados às principais referências e premissas globais, esses investimentos buscam o engajamento ativo e transparente das partes interessadas, fortalecendo as relações de confiança e contribuindo para o desenvolvimento local, regional e territorial. Os eixos estratégicos são:

I. Qualificar o relacionamento com as comunidades: fortalecer a licença social por meio de diálogo, participação e respeito aos direitos das comunidades locais, tradicionais e povos indígenas.

II. Reduzir a pobreza: ampliar renda, saúde e educação por meio de soluções e parcerias que promovam inclusão social e econômica.

III. Melhorar a educação: apoiar iniciativas que garantam acesso, permanência e aprendizagem para adolescentes e jovens.

IV. Atuar com melhores práticas ambientais: promover impactos positivos, conservar biodiversidade e valorizar conhecimentos tradicionais na gestão do território.

V. Aprimorar o relacionamento institucional: estabelecer parcerias transparentes, integrando princípios de devida diligência e garantindo consulta e consentimento prévio, livre e informado.

VI. Promover voluntariado e cidadania: incentivar ações de voluntariado que gerem valor compartilhado e reforcem o respeito aos direitos humanos. Saiba mais em “Gestão do investimento social privado”.

A Suzano se compromete a tomar a iniciativa pela reparação do dano, não esperando que haja reclamação por parte da pessoa prejudicada, e a garantir à parte afetada a liberdade de escolha quanto às possíveis soluções. Saiba mais em “Mecanismos de engajamento” e “Gestão de ocorrências”.

Adotamos, ainda, sistemas de gestão, processos de engajamento e certificações que visam prevenir e mitigar impactos operacionais adversos nas comunidades locais.

 

Povos indígenas, quilombolas, comunidades locais e tradicionais

Respeitamos e promovemos os direitos humanos relacionados às comunidades locais, indígenas e tradicionais localizadas nas áreas de influência das operações da Suzano, conforme a implementação da estratégia da área de Relacionamento Social, de forma culturalmente apropriada, permanente, com base na confiança e no respeito mútuo de direitos e interesses, em conformidade com os princípios estabelecidos pelos procedimentos e políticas internas que preveem os direitos e interesses econômicos, ambientais e socioculturais. Estes são os procedimentos e políticas internas:

  • Identificação e definição de Áreas de Alto Valor de Conservação (AAVCs) e Sítios Arqueológicos: o processo de identificação e definição de áreas com valores ambientais e/ou sociais extraordinários, que merecem proteção, é essencial. Nesse contexto, todas as áreas identificadas e definidas como AAVCs ou Locais de Especial Significado (LES) nas áreas de atuação da Suzano são periodicamente monitoradas e protegidas, garantindo a continuidade de seus atributos sociais e ambientais. O critério empregado para definir uma área como sendo de alto valor é a existência de um ou mais atributos de Alto Valor de Conservação, como:
    • AVC1: áreas contendo concentrações significativas de valores referentes à biodiversidade (endemismo, espécies ameaçadas, refúgios de biodiversidade);
    • AVC2: áreas extensas de florestas onde populações viáveis da maioria ou de todas as espécies naturais ocorram em padrões naturais de distribuição e abundância;
    • AVC3: áreas inseridas ou que contenham ecossistemas raros, ameaçados ou em perigo de extinção;
    • AVC4: áreas que prestem serviços ambientais básicos em situações de extrema importância (proteção de bacias hidrográficas, controle de erosão);
    • AVC5: áreas que suprem necessidades indispensáveis e insubstituíveis para a sobrevivência de comunidades interessadas e afetadas, sejam elas locais ou tradicionais;
    • AVC6: áreas que suprem necessidades culturais (religiosas, folclóricas, econômicas e ecológicas) de comunidades interessadas ou afetadas, sejam elas locais ou tradicionais. Ou, ainda, que figuram como patrimônios paleontológicos, arqueológicos, históricos ou de caráter religioso, espiritual ou paisagístico, legalmente ou amplamente reconhecidos nos contextos sociais universal, nacional, estadual, municipal ou local;
    • LES: área natural, antropizada ou com infraestrutura utilizada por comunidades em geral para manifestações culturais, ecológicas, econômicas e religiosas e localizada dentro de imóveis da Suzano;
    • Sítios Arqueológicos: local onde se encontram vestígios resultantes de atividades humanas, do período pré-colonial ou histórico, localizados em superfície, subsuperfície ou submersos, passível de contextualização arqueológica. Saiba mais em “Área de Alto Valor de Conservação (AAVC)”.
  • Política Corporativa de Relacionamento com Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais: o relacionamento com comunidades indígenas e tradicionais deve ser conduzida de forma culturalmente apropriada, contínua, baseada na confiança e no respeito mútuo aos direitos e interesses. A política visa estabelecer as diretrizes e os princípios gerais para o relacionamento com povos indígenas, comunidades quilombolas, extrativistas, pescadores e pescadoras artesanais e demais comunidades tradicionais, a serem aplicados em todas as operações da Suzano, bem como em sua cadeia de valor (fornecedores, clientes e demais partes interessadas), por meio de:
    • I. Reconhecimento, valorização e respeito à diversidade socioambiental e cultural;
    • II. Reconhecimento e respeito a crenças, usos, costumes, línguas, tradições, organização social e política;
    • III. Responsabilidade socioambiental em relação aos povos e territórios;
    • IV. Reconhecimento e respeito aos direitos legais e consuetudinários de posse;
    • V. Promoção plena de direitos socioeconômicos e culturais;
    • VI. Fomento de processos de Consulta Livre, Prévia e informada (CLPI), quando aplicável. Saiba mais em “Relacionamento com comunidades indígenas e tradicionais” e “Programas com comunidades indígenas”.

Em 2025, o grupo de trabalho criado no ano anterior para atender às novas regulações sobre o tema seguiu avançando na integração dos direitos humanos às estratégias corporativas. Paralelamente, demos continuidade ao desenvolvimento da estratégia de natureza, alinhada ao framework da Taskforce on Nature-related Financial Disclosures (TNFD), incluindo diretrizes para os direitos humanos de povos indígenas e comunidades tradicionais.

Reforçamos ainda nosso compromisso de garantir que todas as interações com povos indígenas e comunidades tradicionais ocorram de forma ética, transparente e culturalmente adequada. Respeitamos o direito à autoidentificação dos povos e conduzimos nosso relacionamento, diálogo e engajamento respeitando os direitos previstos na legislação nacional e na Convenção n° 169 da OIT, incluindo o respeito ao direito a usufruto e utilização das riquezas naturais e dos bens nelas existentes.

 

Direito à terra

Na Suzano, temos um compromisso com o respeito ao direito de propriedade, posse pacífica e uso da terra. Antes de qualquer negociação de terras, realizamos um processo de devida diligência. Este processo avalia o impacto social de nossas atividades nas comunidades vizinhas e outros riscos. Nosso compromisso é operar de forma ética, responsável e em harmonia com as comunidades e seus direitos

Nas operações florestais, estabelecemos a Política de Suprimentos de Madeira, que determina que nossas plantações sejam realizadas exclusivamente em áreas já anteriormente antropizadas por outros usos, cuja conversão não tenha ocorrido sob sua responsabilidade direta ou indireta, de forma a comprometer-se com uma política de desmatamento zero. Nesse contexto, nossas áreas próprias e os fornecedores de madeira são identificados como processos relevantes na agenda de direitos humanos, sendo contemplados na gestão de certificações que abrange toda a cadeia de abastecimento.

Das certificações florestais aplicadas ao fornecimento de madeira e comercio de produtos de origem florestal, destacamos a de Manejo Florestal e a de Cadeia de Custódia, implementadas por programas de certificação florestal como Programme for the Endorsement of Forest Certification (PEFC) () e Forest Stewardship Council® (FSC) – garante as boas práticas de manejo e a origem responsável nos aspectos ambiental, social e ético ao longo da cadeia produtiva.As certificações abrangem as atividades florestais, desde a verificação do cumprimento de questões ambientais, econômicas e sociais com manejo florestal responsável até a distribuição do produto por meio da cadeia de custódia, garantindo boas práticas em questões de rastreabilidade, Saúde e Segurança Ocupacional e trabalhistas., O manejo florestal responsável promove a regularização da propriedade e os meios adotados para evitar reassentamento físico ou econômico ou qualquer outro conflito por terra. Em todos os padrões, implementamos e mantemos um sistema de due diligence para identificar, entre outras questões, riscos aos direitos humanos.

Anualmente, realizamos auditorias internas para assegurar a conformidade com os princípios, indicadores e critérios das certificações, promovendo um ambiente de melhoria contínua em nossas operações. Além disso, passamos por auditorias externas de terceiros, que nos permitem demonstrar a conformidade com os requisitos estabelecidos e identificar oportunidades de melhoria ou correção de etapas não conformes.

Esses processos abrangem certificações, recertificações e a manutenção dos selos que evidenciam o compromisso da Suzano com a sustentabilidade de seus processos. Saiba mais em “Gestão do uso da terra”.

Acompanhamos as controvérsias e alegações envolvendo terras que operamos e reportamos nosso posicionamento sobre estas.

 

Segurança patrimonial

A Suzano reconhece que suas equipes de segurança têm interação frequente com colaboradores, colaboradoras, prestadores e prestadoras de serviços e stakeholders externos durante o monitoramento e a proteção de nossas florestas nativas e plantadas, além das instalações industriais e comerciais em todo o território de atuação.

Nossa atuação é inspirada nos Princípios Voluntários para Direitos Humanos e Segurança (VPSHR), que orientam para a proporcionalidade do uso da força e o respeito aos direitos humanos. Respeitamos a legislação dos países onde operamos, fornecemos treinamentos específicos para esse público e estabelecemos mecanismos para monitorar a atuação de nossos profissionais de segurança, inclusive através do recebimento de queixas e reclamações sobre a atuação destes. Anualmente, os times que atuam na área de Segurança Patrimonial que recebem treinamento formal nas políticas de direitos humanos da Suzano ou em procedimentos específicos para sua aplicação à segurança. Saiba mais em “Equipe de segurança treinada em políticas ou procedimentos relativos a direitos humanos, por tipo de operação”.

 

Nota:

1. Com o estabelecimento de um time interno dedicado aos direitos humanos, o entendimento da Suzano sobre os riscos salientes foi aprofundado e, por isso, nossa forma de comunicá-los foi revisada.