Compromissos para renovar a vida
Para o planeta
43 %
Uma das principais ameaças para a perda de biodiversidade no Brasil e no mundo é a fragmentação de hábitats. Este fenômeno ocorre quando uma área natural contínua e de relevância ambiental é reduzida e subdividida em áreas menores, sem conexão umas com as outras. Isso acontece em função das alterações no uso e ocupação do solo provocadas principalmente por ações antrópicas.
A fragmentação altera as interações ecológicas na paisagem e isola espécies, resultando na redução de variabilidade genética e sucesso reprodutivo – o que aumenta a vulnerabilidade das espécies podendo contribuir para sua extinção, além de interferir na perda de resiliência dos territórios às mudanças climáticas e na prestação de serviços ecossistêmicos, entre outros efeitos adversos.
A degradação e a perda desses serviços ecossistêmicos representam riscos para o negócio, como a diminuição da produtividade florestal, o aumento dos custos operacionais e a maior suscetibilidade a pragas e doenças. Além disso, geram riscos de transição, como a necessidade de adaptação a novas regulamentações ambientais. A manutenção de paisagens saudáveis é, portanto, essencial para a resiliência e a competitividade do negócio da Suzano a longo prazo.
As operações florestais da Suzano alcançam cerca de 2,9 milhões de hectares, sendo mais de 1,1 milhão de áreas conservadas como reserva legal, APP entre outras. Nesse cenário urgente de perda de biodiversidade, somado à nossa expertise em gestão de florestas, desempenhamos um importante papel na conservação da biodiversidade: contribuir para a conexão de fragmentos isolados com o intuito de alavancar o impacto positivo à biodiversidade nos biomas em que estamos presentes, como geração de valor ao negócio.
A partir da revisão da Estratégia de Sustentabilidade realizada em 2025, revisamos a estratégia de atuação deste compromisso com o objetivo de intensificar os esforços nas frentes que temos maior potencial de impacto. Nesse cenário, a métrica STAR (Species Threat Abatement and Restoration) foi incorporada ao compromisso de Biodiversidade para aumentar a efetividade das ações e orientar a priorização de esforços. O STAR é uma métrica central da abordagem IUCN RHINO (Rapid High-Integrity Nature-positive Outcomes), que é uma abordagem científica, orientada à ação, desenvolvida pela IUCN que oferece uma trajetória para empresas, governos e sociedade civil entregarem resultados positivos, com rapidez e alta integridade para a natureza, contribuindo para o Marco Global de Biodiversidade Kunming-Montreal (KM-GBF) e para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), com foco na redução do risco de extinção de espécies e do colapso de ecossistemas. A partir da Lista Vermelha da IUCN, o STAR permite quantificar e priorizar oportunidades de ação ao indicar onde a mitigação de ameaças e a restauração geram maior contribuição para reduzir o risco de extinção e, assim, direciona o desenho dos planos de ação no território.
O compromisso abrange fragmentos de áreas naturais de florestas e demais tipos de vegetação nativa fragmentadas, escolhidas pelo seu alto potencial de conservação da biodiversidade. Esses fragmentos encontram-se dentro e fora das áreas da companhia e, para conectá-los, serão são implantados corredores ecológicos, abrangendo áreas das operações diretas e cadeia de valor da Suzano, assim como propriedades privadas, assentamentos e territórios de populações tradicionais, através de parcerias estratégicas.
A implantação desses corredores ocorre em áreas destinadas à conservação, empregadas técnicas de restauração, e em áreas produtivas, através de modelos de produção sustentável.
Em 2025, o STAR passa a nortear os planos de ação das linhas de atuação, com foco na redução do risco de extinção das espécies prioritárias¹ por meio da mitigação das ameaças priorizadas.
Além disso, as linhas de atuação do CPRV de Biodiversidade foram simplificadas e integradas, passando de seis para três linhas principais:
As ameaças aderentes prioritárias consideradas para orientar os planos de ação incluem: caça e coleta de animais terrestres; cultivos agrícolas anuais e perenes não madeireiros; exploração madeireira e colheita de madeira; incêndios; pecuária e criação extensiva de animais; plantações florestais para madeira e celulose; e rodovias e ferrovias.
Conectar meio milhão de hectares de áreas prioritárias para a conservação da biodiversidade no Cerrado, Mata Atlântica e Amazônia até 2030.
No ano de 2025, implementamos trechos de corredores ecológicos que possibilitam a conexão de 55.366 hectares de fragmentos, que, somados aos fragmentos conectados em anos anteriores, totalizam um acumulado de 214.368 hectares conectados. Para isso, foram implantados 584 hectares de áreas nos corredores ecológicos, sendo 256 hectares de modelos de produção sustentável e 328 hectares de restauração ecológica.
Junto com a Inovaland, parceiro implementador do corredor Mata Atlântica, avançamos no engajamento territorial no Assentamento Fábio Santos (AAVC Alcoprado), no município de Teixeira de Freitas (BA), um assentamento de Reforma Agrária organizado pelo MST, com aproximadamente 96 famílias na área desde 2014. Após a identificação do potencial de conectividade por meio de imagens de satélite, realizamos encontro inicial com lideranças, visitas de campo às áreas passíveis de restauração e construção participativa do orçamento e do detalhamento das atividades, com a participação da Cooperativa de Trabalho Agroecológico Popular (COOTAP), fortalecendo o alinhamento comunitário para implantação de ações no território. Nesse trecho, foram implantados 103 hectares de restauração ecológica, contribuindo para a conexão de 1.792 hectares de fragmentos, ampliando a conectividade da paisagem e o potencial de conservação na região. Nesse contexto, reforçamos a relevância do território para a conservação de espécies priorizadas pelo STAR, com registros de ocorrência de 4 das 9 espécies priozadas pela métrica STAR na região, são elas: Bugio-marrom (Alouatta guariba); Balança-rabo-canela (Glaucis dohrnii); Tiriba-de-orelha-branca (Pyrrhura leucotis) e Macaco-prego-de-crista (Sapajus robustus).
Ainda no corredor Mata Atlântica, e em conjunto com a Inovaland, avançamos na implantação de um trecho do corredor em território quilombola, na Comunidade Ribeirão. Nesse trecho, foram implantados 8 hectares de restauração ecológica, contribuindo para a conexão de 7.457 hectares de fragmentos, reforçando a estratégia de atuação em paisagens prioritárias e o engajamento com comunidades prioritárias de relacionamento da companhia para viabilizar ações de conservação e restauração no território.
Além disso, oficializamos a criação da RPPN Nova Descoberta, a maior Reserva Particular do Patrimônio Natural do Maranhão e, também, a maior Unidade de Conservação da Suzano, criada com apoio do Instituto Ecofuturo. Abrangendo aproximadamente 5,8 mil hectares nos municípios de Açailândia, Bom Jardim e Itinga (MA), a área possui alta representatividade ecológica por se localizar em uma zona de transição entre o Cerrado e a Amazônia, com papel estratégico na proteção de ecossistemas ameaçados, e integra o Corredor Amazônia do CPRV Biodiversidade, reforçando a urgência de ações de proteção e recuperação ambiental em uma região inserida no Arco do Desmatamento.
Ainda nesse território, avançamos na implantação de um trecho do corredor em áreas da Suzano que anteriormente contavam apenas com eucalipto e que agora passam a compor o corredor, conectando a RPPN Nova Descoberta a outro fragmento na paisagem. Nesse trecho, foram implantados 19 hectares de restauração ecológica, contribuindo para a conexão de 9.564 hectares de fragmentos, ampliando a conectividade da paisagem e fortalecendo a proteção das áreas conectadas. Com essa implantação e a conexão gerada no território, a RPPN Nova Descoberta passa a integrar o Mosaico do Gurupi, fortalecendo a gestão integrada da paisagem por meio da articulação da Suzano com o Instituto Ecofuturo no território.
| 2020 | 2021 | 2022² | 2023² | 2024² | 2025 | Total acumulado | |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| ha | ha | ha | ha | ha | ha | ||
|
Áreas conectadas |
0,00 |
0,00 |
478,70 |
56.422,70 |
102.100,00 |
55.366,00 |
214.367,40 |
| Áreas implantadas (ha)³ | Dentro da Suzano | Fora da Suzano | Total | ||||
| Ano | Áreas produtivas (ha) | Áreas protegidas (ha) | Áreas produtivas (ha) | Áreas protegidas (ha) | |||
| ha | ha | ha | ha | ha | |||
|
2021 |
n/a |
n/a |
n/a |
n/a |
n/a | ||
|
2022 |
93,50 |
178,80 |
0,00 |
0,00 |
272,30 | ||
|
2023 |
102,80 |
299,30 |
0,00 |
0,00 |
402,10 | ||
Para o ano de 2026, continuaremos implantando trechos de corredores ecológicos, através da implantação de áreas de restauração ecológica e manejo produtivo sustentável, dentro e fora de fazendas da Suzano, conectando fragmentos de vegetação nativa e fortalecendo a cadeia da restauração para viabilizar a implementação dos corredores em escala.
No eixo de proteger áreas conectadas, atuaremos para que as áreas conectadas pelos corredores possuam mecanismos de proteção compatíveis com o contexto local, incluindo o avanço em oportunidades de criação de reservas e outros arranjos de proteção em propriedades da Suzano e de terceiros nos territórios prioritários.
Na linha de reduzir risco de extinção das espécies ameaçadas, trabalharemos de forma progressiva na construção e execução de planos de ação para reduzir, em relação à linha de base, as ameaças prioritárias à biodiversidade, além de avançarmos em metodologias para medição de abundância relativa das espécies priorizadas pelo STAR, integrando dados de monitoramento e evidências científicas para orientar decisões no território.
Para viabilizar essas frentes, seguiremos atuando de forma colaborativa, considerando os diferentes atores da paisagem, e continuaremos focando em parcerias estratégicas para fortalecer projetos existentes no território, apoiar projetos internos e, quando não houver solução pronta, cocriar novos projetos com instituições e organizações locais e especialistas.
Remover 40 milhões de toneladas de carbono da atmosfera até 2025...
Conectar meio milhão de hectares de áreas prioritárias para a conservação da biodiversidade no Cerrado, Mata Atlântica e Amazônia.
Aumentar a disponibilidade hídrica em todas das bacias hidrográficas críticas1 nas áreas de atuação da Suzano até 2030...
Disponibilizar 10 milhões de toneladas de produtos de origem renovável, que possam substituir o plástico e outros derivados do petróleo...
Reduzir em 70% os resíduos sólidos industriais enviados para aterro.