contexto

Elevados patamares de governança impõem uma criteriosa gestão de riscos para as empresas. Na Suzano, essa gestão se apoia em três frentes complementares, sustentadas por diferentes equipes, empenhadas em mitigar a probabilidade de possíveis impactos em decorrência da materialização de riscos nas diversas áreas do negócio.


Gestão de riscos

Na Suzano, a gestão integrada de riscos é realizada pela área de Riscos Corporativos, que atua em conjunto com as demais áreas da empresa e tem por objetivo identificar, avaliar, priorizar, tratar, monitorar e reportar os principais riscos associados aos negócios da companhia, atuando para a continuidade das nossas operações. Todo esse processo é regido pela Política de Gestão Integrada de Riscos.

De acordo com o processo de Enterprise Risk Management (ERM) da Suzano, os principais riscos da companhia são identificados através das nossas frentes de identificação estruturadas e avaliados conforme a sua probabilidade de ocorrência e os seus impactos quantitativos (financeiros) e qualitativos (saúde e segurança, meio ambiente, sociocultural, imagem e reputação, clima organizacional e legal), sendo que os diferentes aspectos de impactos possuem o mesmo peso na avaliação final do risco. Com base nessa avaliação, é formada a matriz de riscos (também conhecida como heatmap), que auxilia na priorização dos riscos e na definição dos planos de ação de mitigação (prevenção e contenção).  

Vale reforçar que o processo de gestão de riscos é contínuo, e a matriz pode sofrer alterações conforme ocorram modificações nas condições internas e externas relacionadas aos negócios. Para garantir o olhar amplo para toda a companhia, o processo de gestão de riscos da Suzano conta com grupos multidisciplinares estruturados, que se reúnem periodicamente para discutir a temática de riscos e são responsáveis pela identificação, avaliação, tratamento e monitoramento dos riscos da sua respectiva unidade/área. Eles se dividem em três frentes:

  1. Comissões Regionais de Riscos e Continuidade de Negócios (RCNs): específicas para unidades industriais, sendo que cada fábrica possui a sua própria comissão, liderada por um coordenador ou coordenadora designado para tal e da estrutura da própria unidade, para discutir os riscos aplicáveis à sua realidade. Os encontros das RCNs ocorrem, no mínimo, bimestralmente;
  2. Fóruns Técnicos de Riscos: específicos para as áreas corporativas. Os fóruns são realizados de forma individual, para cada área corporativa, e contam com a participação dos heads de cada área (diretores e diretoras funcionais e/ou gerentes-executivos) e de seus liderados diretos e/ou indiretos, a depender do tema a ser discutido. Os encontros ocorrem, no mínimo, anualmente;
  3. Risk Meetings, específicos para as unidades internacionais, em um conceito similar ao das RCNs. Os encontros ocorrem, no mínimo, trimestralmente.

Em relação aos reportes realizados pela área de Riscos Corporativos, os riscos considerados prioritários (com nível alto ou crítico) são apresentados trimestralmente ao Comitê Executivo (que abrange todas as vice-presidências da Suzano, incluindo o CEO) e ao Comitê de Auditoria Estatutário (CAE), bem como são apresentados anualmente ao Conselho de Administração (CA). Além disso, esses reportes têm o intuito de discutir as estratégias de mitigação dos riscos e debater outros assuntos relevantes ao processo de gestão de riscos.

Cabe destacar que o processo de gestão integrada de riscos da Suzano passa por auditorias de certificação e de clientes anualmente.

A área de Riscos Corporativos é responsável, ainda, pelo processo de governança de crises, cujos principais pilares são:

  • Definição dos níveis de crise (regional, corporativa e institucional);
  • Definição de gatilhos para cada nível de crise, incluindo acionamento do CA e do CAE;
  • Composição dos Comitês de Crise, com maior clareza dos papéis de cada membro;
  • Regras de reporte.

Como parte do aculturamento nessa governança, são aplicados anualmente treinamentos e simulados de crise para os principais envolvidos nesse processo, como forma de prepará-los para eventuais situações de crise.


Gestão de riscos operacionais

No âmbito das operações, a área de Riscos, em conjunto com as unidades, constitui as Comissões de Riscos e Continuidade de Negócios, como apresentado anteriormente. A Suzano está sujeita a riscos operacionais e riscos emergentes que podem acarretar a paralisação de suas atividades, ainda que parcial ou temporariamente. Essas interrupções podem ser causadas por fatores associados à falha de equipamentos, a acidentes, incêndios, impactos climáticos, exposição a desastres naturais, ataques cibernéticos e pandemias, entre outros.

A ocorrência desses eventos pode resultar em danos sérios à nossa propriedade, diminuição significativa da produção, aumento nos custos de produção, possíveis acidentes com ou sem fatalidades com nossos colaboradores e colaboradoras e/ou prestadores e prestadoras de serviços, além de efeitos adversos em nossos resultados financeiros e operacionais.

Adicionalmente, dependemos da disponibilidade contínua de redes logísticas e de transporte, como estradas, ferrovias, terminais e portos, as quais podem ser interrompidas por fatores que estão fora do nosso controle, como manifestação de movimentos sociais, desastres naturais, paralisações e interrupções no fornecimento de insumos às nossas unidades industriais e florestais ou na entrega de nossos produtos aos clientes. Tudo isso pode afetar nossos resultados financeiros e operacionais. 


Gestão de riscos de mercado

A Suzano possui processos de monitoramento e controle relacionados aos riscos de mercado, considerando que o mercado de celulose é cíclico e segue a tendência de preço global, determinada por fatores como oferta e demanda, capacidade global de produção de celulose de mercado e condições de crescimento da economia. 

O preço também pode ser afetado pela variação cambial de moedas dos principais países produtores e consumidores de celulose, pela alteração dos estoques de produtores e compradores, dada a expectativa de preço no futuro, e por estratégias adotadas por produtores que venham a colocar no mercado produtos mais competitivos.

Por outro lado, os preços de papel se mostram mais estáveis que aqueles do mercado de celulose, sendo determinados pelas condições de oferta e demanda nos mercados em que são vendidos. Além disso, podem variar em função de uma série de fatores que vão além do nosso controle, incluindo a flutuação do preço de celulose e características específicas do mercado em que a Suzano opera.

A companhia não pode garantir que os preços de celulose irão se manter nos níveis atuais, mas a gestão adequada das nossas plantas fabris propicia que tenhamos uma vantagem competitiva no custo de produção, além de maior resiliência em momentos de queda de preço. 

Uma volatilidade significativa do real em relação ao dólar pode impactar de forma relevante as receitas e o endividamento da Suzano, assim como os mercados de valores mobiliários brasileiros.

As receitas de exportação são diretamente afetadas pela variação cambial. A apreciação do real ante o dólar acarreta redução das receitas de exportação. As receitas provenientes do mercado doméstico são também afetadas pela volatilidade do câmbio. Além disso, alguns dos custos e despesas operacionais da empresa são afetados pelas flutuações cambiais, incluindo seguro de exportação, custos de frete e o custo de certos produtos químicos utilizados na produção dos produtos comercializados.

Adicionalmente, uma parcela significativa da dívida da Suzano é denominada em dólares. Desta forma, a depreciação do real em relação à moeda norte-americana poderá aumentar as despesas financeiras derivadas de tais dívidas e de outras obrigações e vice-versa. É importante ressaltar que a decisão da companhia de manter o endividamento em dólares decorre do fato de que sua geração de caixa futuro é em dólares ou indexada ao dólar. Portanto, uma depreciação do real ante a moeda norte-americana também impactará positivamente as receitas da companhia e vice-versa.

As oscilações das taxas de juros podem implicar efeitos de aumento ou redução do custo sobre os novos financiamentos e operações já contratadas. A Suzano busca constantemente alternativas para a utilização de instrumentos financeiros a fim de evitar impactos negativos em seu fluxo de caixa devido às oscilações de taxas de juros no Brasil ou no exterior.

No processo de gestão de riscos de mercado, para a mitigação dos pontos acima, são feitas a identificação, avaliação, implementação das estratégias e contratação de instrumentos financeiros de proteção aos riscos. Para administrar os impactos nos resultados em cenários adversos, a companhia dispõe de processos para o monitoramento das exposições e políticas para a implementação da gestão de riscos. Essas políticas estabelecem os limites e instrumentos a serem implementados com o objetivo de: 

  • Proteger o fluxo de caixa devido ao descasamento de moedas;
  • Mitigar exposições a taxas de juros;
  • Reduzir os impactos da flutuação de preços de commodities;
  • Trocar indexadores da dívida.


Gestão de riscos e impactos sociais 

Como parte de sua estratégia de relacionamento social, a Suzano realiza a gestão de impactos socioambientais e econômicos por meio de diagnóstico e identificação contínua de impactos para possibilitar a prevenção, mitigação e compensação dos efeitos dos impactos adversos de suas operações, por meio de práticas de manejo, investimentos socioambientais e ações contínuas de prevenção e controle. Além disso, prevê a potencialização de impactos benéficos que promovem o desenvolvimento territorial sob influência de suas atividades.

O modelo de gestão está fundamentado em seu procedimento de identificação e avaliação dos aspectos e impactos sociais, que identifica, classifica e prioriza os aspectos e impactos significativos no meio antrópico decorrentes das atividades da empresa no território e nas comunidades vizinhas às suas operações, além de definir para cada um deles a necessidade de mecanismos, controles, direcionadores e/ou acompanhamento em função da sua significância. 

De acordo com esse procedimento, são mapeados e classificados, em termos de relevância, os impactos sociais vinculados aos diversos processos e atividades operacionais da Suzano. A relevância dos impactos é definida a partir da aplicação da Matriz de Aspectos e Impactos Sociais, que pondera sete fatores: detecção, incidência, classe, gravidade, frequência, demanda e abrangência dos impactos identificados.

Essa ponderação é seguida por uma análise qualitativa e pela validação do grau de significância do impacto social em cada unidade. Para todo impacto adverso significativo identificado, são definidos medidas e planos de ação, destinados a evitar, minimizar, monitorar e reparar o dano, incorporados em relatórios, manuais, procedimentos e recomendações que orientam a realização das atividades e subsidiam na tomada de decisões. 

Anualmente, a área de Relacionamento Social de cada unidade avalia a necessidade de revisão da Matriz de Aspectos e Impactos Sociais, considerando os resultados do monitoramento e da avaliação crítica dos processos de relacionamento com partes interessadas. Somadas a isso, são avaliadas as demandas das partes interessadas oriundas do sistema de gestão de relacionamento com partes interessadas da companhia, conhecido como Relacione+, que possibilita a retroalimentação do fluxo de identificação e avaliação para a composição da matriz.

Entre as instâncias nas quais esse tema é acompanhado, destacam-se as Comissões de Valor Compartilhado (CVCs) locais e corporativa, que tratam da avaliação reputacional da Suzano a partir da sua relação com stakeholders estratégicos (incluindo comunidades), as Comissões Regionais de Riscos e Continuidade do Negócio (RCNs), que monitoram todos os riscos associados direta ou indiretamente às operações da Suzano, incluindo os riscos sociais, e o Comitê de Sustentabilidade, que tem entre suas atribuições avaliar e sugerir aprimoramentos no processo de relacionamento com comunidades e subsidiar o Conselho de Administração com orientações em decisões relacionadas a esse tema. 


Fatores climáticos

Os efeitos das mudanças climáticas podem provocar impactos negativos relevantes nas operações da Suzano, sujeitando a companhia a riscos climáticos físicos ou de transição. Os riscos físicos são decorrentes de quaisquer mudanças climáticas que afetem negativamente as condições climáticas favoráveis no Brasil, podendo prejudicar a taxa de crescimento e qualidade das plantações de eucalipto, por exemplo. Tais riscos podem gerar impactos financeiros devido à deterioração do valor justo, à perda de ativos biológicos, à redução da produtividade ou às interrupções da nossa produção.

Já os riscos de transição são aqueles decorrentes de alterações mercadológicas, regulatórias ou legais que são impostas a fim de adequar a sociedade a uma economia de baixo carbono. Esses riscos também possuem implicações financeiras, como é o caso do preço de carbono, que pode se tornar um custo às empresas que não reduzirem suas emissões. 

A Suzano adere à Task Force on Climate-related Financial Disclosures (TCFD) e segue suas recomendações de gestão e reporte de riscos e oportunidades. Porém, dado que em 2023 a iniciativa da TCFD foi incorporada pelo IFRS Foundation e, em 2024, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) adotou resoluções de reporte com base nos cadernos de sustentabilidade e mudanças climáticas do IFRS, ao longo desse ano a empresa passou a se preparar para estar aderente a esse cenário.

Para garantir a mitigação dos efeitos das mudanças climáticas, a Suzano faz o acompanhamento de tais riscos em sua Matriz Empresarial. E, com essa matriz e outras pesquisas e análises de tendências, busca atuar através da expansão da remoção de carbono da atmosfera proveniente de sua base florestal e da redução da sua intensidade de emissão. 

Entre suas iniciativas de adaptação às mudanças climáticas, a Suzano realiza estudos de modelagem climática considerando as particularidades de cada região, para gerar recomendações às operações e orientar análises de possíveis expansões; estudos voltados para a produção de clones de eucalipto e mudas mais resistentes às variações e aos extremos climáticos; e elaboração de planos de contingência para cenários mais críticos (como um quadro de possível escassez hídrica nas bacias hidrográficas em que operamos). Para mais informações, verifique o indicador “Mudanças climáticas na Suzano.

No que se refere especificamente à gestão de riscos ambientais, além de aplicar a Política de Gestão Integrada de Riscos e as Políticas Corporativas de Mudanças Climáticas e de Gestão Ambiental, as equipes de Meio Ambiente Industrial e Florestal acompanham a Matriz de Aspectos e Impactos Ambientais operacionais, na qual os riscos e controles operacionais são monitorados periodicamente através de processos específicos, que também inclui a avaliação periódica do atendimento de todos os requisitos legais aplicáveis. As operações são auditadas interna e externamente (por terceira parte independente) de maneira periódica.


Linhas de atuação

A Suzano utiliza o modelo de governança corporativa de riscos baseado nas três linhas do Institute of Internal Auditors (IIA) e nas melhores práticas de mercado. Esse modelo tem como principal objetivo garantir que o modelo de gerenciamento de riscos esteja devidamente permeado em todos os níveis da companhia e que as funções sejam devidamente segregadas, garantindo maior robustez no gerenciamento, na supervisão e na análise de riscos. As linhas de atuação são: 

  • 1ª linha – Áreas de Negócio: responsável pelo gerenciamento dos riscos dos processos, por ações corretivas e implementações de planos de ação;
  • 2ª linha – Controles Internos, Riscos Corporativos e Compliance: tem um papel consultivo e de apoio no mapeamento, na identificação e no gerenciamento dos riscos do negócio, proporcionando o desenvolvimento de um ambiente de controle, monitoramento e reporte eficaz que apoie a continuidade da companhia;
  • 3ª linha – Auditoria Interna: sua principal função é garantir uma avaliação independente do ambiente de riscos e controles da companhia e assegurar o devido reporte à alta administração, ao CAE e ao CA. 


Controles Internos

A área de Controles Internos tem como missão disseminar a cultura de controles internos, bem como apoiar tecnicamente as diferentes áreas da Suzano, visando ao monitoramento dos processos críticos, à mitigação e remediação de riscos, à conformidade com as regras aplicáveis e ao assessoramento da alta administração na tomada de decisões, de modo a propiciar melhor sustentabilidade e perenidade aos negócios da companhia.


Conduta e gestão de ética

A Suzano dispõe de instrumentos que orientam a gestão ética de seu negócio. Entre eles há o Código de Ética e Conduta, a Política de Ouvidoria, a Política de Medidas Disciplinares, o Regimento do Comitê de Conduta e a Política de Compras Sustentáveis, que estabelecem as diretrizes para o processo de governança da companhia.

O nosso Código de Ética e Conduta foi inspirado nos Direcionadores de Cultura da empresa. O documento reúne os seis princípios éticos que orientam as nossas ações diárias, com foco na qualidade dos nossos relacionamentos, produtos e serviços. É uma ferramenta que orienta nossas ações e decisões no dia a dia, garantindo que nossas atividades realizadas com colaboradores e colaboradoras, acionistas, clientes, fornecedores, prestadores de serviços, agentes do poder público e comunidades estejam alinhadas com o comportamento ético e o respeito que cultivamos no relacionamento com os diversos públicos.

O Canal de Denúncias disponibilizado pela Suzano é confidencial e independente, sendo oferecido aos colaboradores e colaboradoras e ao público externo em geral para o encaminhamento de relatos e denúncias sobre questões que possam estar transgredindo o nosso Código de Ética e Conduta. A recepção dos relatos e das denúncias é realizada por uma empresa contratada e garante o anonimato caso isso seja solicitado pela pessoa denunciante. O trabalho de apuração é feito por profissionais e áreas competentes de forma autônoma e imparcial, para a identificação da veracidade e aplicação das providências necessárias, não sendo permitida nem tolerada qualquer forma de retaliação ao denunciante.


Compliance

Essenciais para as boas práticas de governança corporativa, as iniciativas de compliance constituem a base que garante ética, integridade e transparência em todos os negócios da Suzano e no relacionamento com seus stakeholders. Um programa de inteligência de prevenção, detecção e resposta dá origem a oito elementos essenciais de atuação do Programa de Compliance, sendo eles: Tone at the Top; Risk Assessment; Políticas e Procedimentos; Treinamento e Comunicação; Conflito de Interesses; Gestão de Terceiros; Controle e Monitoramento; e Governança e Reporte.


Princípio ou abordagem da precaução 

Anualmente, os processos de riscos passam por auditorias internas, que são avaliações da eficácia e da eficiência dos processos de governança, gerenciamento de riscos e de controles, bem como oferecem serviços objetivos e independentes de avaliação e consultoria, além de auditorias externas, que consistem na avaliação da adequação do Sistema Integrado de Gestão conforme com os requisitos normativos (ISO 9001, ISO 14001, ISO 45001), incluindo a avaliação do atendimento legal dos itens relacionados aos produtos/serviços, a meio ambiente, saúde e segurança do trabalho. 

Eventuais desvios identificados são registrados, e ações corretivas e preventivas são definidas e implementadas.