contexto

A Suzano baseia sua matriz energética majoritariamente em fontes renováveis, especialmente biomassa. Essa biomassa inclui cascas e rejeitos do processo de picagem da madeira, além do licor negro (ou lixívia), subproduto gerado na separação da celulose, sendo esse o principal combustível para a geração de energia na empresa. Adicionalmente, algumas unidades industriais já utilizam, em pequena escala, o lodo biológico proveniente das estações de tratamento de efluentes como combustível em caldeiras de biomassa.

A empresa gera excedentes de energia nas fábricas localizadas em Aracruz (ES), Imperatriz (MA), Mucuri (BA) e Três Lagoas (MS), além da fábrica de Ribas do Rio Pardo (MS), recém-concluída. 

A nova planta conta com uma capacidade instalada de 384 megawatts, acrescentando 105 megawatts ao excedente energético disponibilizado pela Suzano ao Sistema Interligado Nacional (SIN), o que corresponde a uma quantidade suficiente para atender o consumo de aproximadamente 1 milhão de habitantes mensalmente. Com isso, a companhia amplia sua participação na geração de energia a partir de fontes renováveis na matriz energética brasileira, corroborando com os Compromissos para Renovar a Vida, que incluem a meta de aumentar em 50% a exportação de energia renovável até 2030. Esse compromisso reflete o foco da empresa em gerar excedentes de energia limpa para o SIN, promovendo a sustentabilidade e a eficiência energética. 

Algumas unidades consumidoras, como o Centro de Distribuição de Teixeira de Freitas (BA), o Terminal de Inocência (MS) e o viveiro de mudas de Ribas do Rio Pardo, migraram para o Mercado Livre de Energia, permitindo o fornecimento de energia renovável gerada pela própria Suzano. Além das plantas geradoras que utilizam energia renovável autossuficiente, as unidades fabris consumidoras são abastecidas internamente, garantindo que os projetos e iniciativas voltados para o compromisso com energia renovável beneficiem toda a organização.

Para assegurar uma gestão eficaz desse tema, a Suzano adota práticas recorrentes (descritas a seguir) que reforçam seu compromisso com a sustentabilidade e a eficiência energética em toda a cadeia de produção e distribuição.


Alocação de geração própria

Mensalmente, o consumo de energia elétrica das unidades consumidoras do Grupo Suzano que estão no mercado livre de energia é coberto pela geração excedente das plantas exportadoras da Suzano via mecanismo regulatório de alocação de geração própria (AGP), operacionalizado pelos sistemas internos da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) no Brasil. 


Venda de excedente de energia 

Após atender às demandas internas, o excedente energético é comercializado no mercado livre de energia. A Suzano utiliza contratos do tipo virtual power purchase agreements (VPPAs) de diferentes prazos, aproveitando as melhores oportunidades comerciais.


Certificação I-REC

Desde 2022, a unidade de Três Lagoas (MS) é certificada pelo International REC Standard (I-REC), permitindo à Suzano comercializar certificados de energia limpa e renovável. Essa prática reforça o compromisso da empresa com uma matriz energética sustentável, gerando valor para seus stakeholders. Em 2024, foram comercializados 264 mil certificados, totalizando um montante de 245 mil reais. 


Setor de energia brasileiro

A Suzano é uma participante ativa no setor energético brasileiro e, por isso, está sujeita às regulamentações locais e federais, incluindo:

  • Plano Nacional de Energia 2050: estratégia de longo prazo elaborada pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) sob diretrizes do Ministério de Minas e Energia (MME);
  • Plano Decenal de Expansão de Energia: projeção das perspectivas de expansão do setor energético, também pela EPE;
  • Decreto nº 5.163/2004: normas para comercialização e concessão no setor elétrico, regulamentado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel);
  • Procedimentos do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e da CCEE: normas para operação e comercialização de energia, conforme resoluções da Aneel.

Em 2024, no cenário brasileiro, houve desafios relacionados ao abastecimento do Sistema Interligado Nacional através de fontes de geração renovável, sobretudo pela intermitência horária das fontes eólica e solar. Por consequência, no período seco, em que há menor ocorrência pluviométrica, o setor teve maior volatilidade de preço e despacho de usinas que utilizam combustíveis fósseis. A Suzano, como grande exportadora de energia elétrica, reforça seu papel fundamental no setor, contribuindo com energia renovável de maneira confiável e buscando otimizar seu consumo, reduzindo-o em oportunidades operacionais.

A companhia também se compromete anualmente a reportar os valores de consumo de energéticos das unidades fabris à EPE, órgão responsável pela elaboração do Balanço Energético Nacional (BEN). Esse relatório é essencial para contribuir para a transparência e a confiabilidade das informações energéticas do país, servindo de base para o planejamento estratégico do setor energético brasileiro. 


Riscos da utilização de biomassa como principal fonte de energia

A biomassa, com destaque para o licor negro derivado da madeira, é essencial para a geração de energia no processo de produção de celulose. A queima desse insumo é responsável pela produção de vapor, utilizado tanto na geração de energia elétrica quanto no processo industrial. Qualquer interrupção no fornecimento de biomassa ou falhas no sistema de geração de vapor podem impactar diretamente a produção.

Embora a biomassa seja a principal fonte energética da Suzano, a utilização complementar de combustíveis fósseis, como gás natural e óleo combustível, apresenta desafios significativos, que incluem a volatilidade de preços no mercado, a dependência de fornecedores externos e possíveis limitações na disponibilidade dos insumos. Além disso, o uso de combustíveis fósseis contribui para o aumento das emissões de gases de efeito estufa, reduzindo a sustentabilidade do processo produtivo.

Para mitigar esses riscos e fortalecer sua sustentabilidade operacional, a Suzano adota algumas práticas:

  • Gestão florestal: a empresa mantém práticas robustas de manejo florestal, assegurando o suprimento sustentável e resiliente de madeira. Essas ações garantem a disponibilidade contínua de biomassa, mesmo diante de desafios climáticos ou logísticos;
  • Monitoramento e automação: com o uso de tecnologias avançadas, a Suzano monitora e controla as caldeiras e o consumo de vapor, promovendo maior eficiência energética, redução de perdas e otimização do uso de recursos;
  • Investimento em pesquisa e desenvolvimento (P&D): a companhia investe continuamente em soluções inovadoras que potencializam o uso da biomassa e reduzem a dependência de combustíveis fósseis. Essas iniciativas incluem o desenvolvimento de tecnologias que aprimoram a eficiência operacional e minimizam impactos ambientais.

Ao integrar essas práticas ao seu modelo de gestão, a Suzano não apenas mitiga os riscos associados ao uso da biomassa, mas também consolida seu compromisso com a eficiência energética e a sustentabilidade. Dessa forma, a empresa assegura a continuidade e a qualidade de seus processos produtivos, além de contribuir significativamente para uma matriz energética mais limpa e renovável.


Eficiência energética 

A Suzano adota uma abordagem robusta de eficiência energética em suas operações, incluindo a utilização de sistemas de recuperação de calor residual e unidades de cogeração de calor e energia. Nosso processo de fabricação de celulose conta com um circuito fechado de vapor e energia térmica, no qual o calor gerado em diferentes etapas do processo é reaproveitado para otimizar o consumo energético e reduzir desperdícios.

A empresa implementou, ao longo do período, diversos projetos com foco em eficiência energética e otimização de recursos, destacando-se pelo uso de tecnologia avançada e práticas sustentáveis. A seguir, apresentamos os principais projetos:

  • Projeto Thor Turbinas: uma solução que se iniciou em 2020 e é voltada para a otimização da alocação de vapor nos turbogeradores, com o objetivo de maximizar a geração de energia elétrica através da utilização de machine learning. O projeto foi desenvolvido pelo time de Digital da própria companhia e traz altas expectativas também para 2025;
  • Dessuper: este projeto opera em sinergia com o Thor Turbinas, buscando o equilíbrio entre a geração de energia elétrica e o consumo de combustível fóssil. Em 2024, apresentou resultados expressivos nas fábricas, reduzindo o consumo de 2 mil toneladas de óleo combustível e de 15,7 milhões de metros cúbicos de gás natural, o que equivale a aproximadamente 733 mil gigajoules em energia. Sua aplicação foi expandida para mais unidades, reforçando sua relevância para a estratégia energética da empresa;
  • RPA: originalmente foi desenvolvido para prever o consumo de gás natural e automatizar a programação nas fábricas, evitando multas de alto valor, este projeto foi o principal destaque em termos de retorno financeiro, eliminando penalidades milionárias. Além disso, em 2024 houve a migração da unidade de Aracruz (ES) para o mercado livre de gás natural, com previsão de adoção em outras unidades de São Paulo até 2025;
  • Metanol: focado na redução do consumo de gás natural e na prevenção de derrames, o mecanismo otimiza o uso de metanol em fornos e caldeiras. Este projeto contribui significativamente para a eficiência dos processos industriais, evitando o consumo de 1,5 milhão de metros cúbicos de gás natural, ou 62.400 gigajoules de energia, alinhando-se às metas de sustentabilidade e redução de custos da Suzano; 
  • Projeto Sensor Virtual de Alcalinidade Total Titulável: o desenvolvimento de um sensor virtual de alcalinidade total titulável (ATT) trouxe avanços importantes no controle da concentração de licor, possibilitando a estabilização do sistema e a redução da carga morta. Como resultado, houve diminuição no consumo de vapor e energia elétrica de forma distribuída na fábrica. 


Dados energéticos da Suzano

Em 2024, a Suzano aperfeiçoou a centralização e a automação de informações energéticas, sempre promovendo a integração entre áreas técnicas e de negócios. Com um repositório único e processos mapeados e responsáveis definidos, a companhia fortalece a governança de suas operações, avançando na simplificação e na melhoria contínua, alinhando-se aos seus princípios corporativos.

Essa abordagem permite que a Suzano continue expandindo sua contribuição para uma matriz energética mais limpa, sustentável e eficiente, beneficiando tanto a empresa quanto a sociedade brasileira.

Informações complementares

As medições são coletadas de forma automatizada dos sistemas internos da Suzano, sendo, em alguns casos, submetidas a conversões de unidades de medida. Os dados de consumo de combustíveis foram convertidos em consumo energético a partir da densidade básica e do poder calorífico inferiores de cada combustível. Nesse sentido, quando disponíveis, foram usados os dados contidos na própria ficha de especificações técnicas do combustível utilizado. Quando não disponíveis, foram usados os valores apresentados pelo Balanço Energético Nacional [Ministério de Minas e Energia (MME), 2021)].