contexto

O que é a TCFD? 
A Task-force on Climate-related Financial Disclosures (TCFD) fornece um conjunto de recomendações voluntárias para reporte de riscos e oportunidades relacionados às mudanças climáticas. A força-tarefa, criada pelo Financial Stability Board (FSB), junto com representantes de diferentes setores econômicos, públicos e privados, publicou suas diretrizes, em 2017, estruturadas em quatro dimensões de reporte: governança, estratégia, gestão de riscos e métricas e metas. Em novembro de 2022, a TCFD já contava com mais de 4.000 apoiadores de mais de 100 países, com capitalização de mercado combinada de US$ 27 trilhões¹.

Para mais informações acesse: https://www.fsb-tcfd.org/

 

Trajetória da Suzano
A Suzano apoia formalmente a TCFD e adota as suas recomendações como referência para reportar potenciais impactos financeiros relacionados ao clima.  

Desde 2019, a empresa implementa ações para aprimorar a gestão de mudanças climáticas, em linha com as melhores práticas corporativas. 

Esse esforço envolveu o mapeamento e formalização de processos de gestão de riscos e oportunidades climáticas em diversas áreas. A Suzano passou a fazer avaliações anuais da adesão às recomendações da TCFD, com base nos critérios definidos pelo TCFD Maturity Map da Accounting for Sustainability. Esse diagnóstico apresenta que o nível de maturidade no atendimento da Suzano aos critérios do TCFD foi ampliando ao longo do tempo, chegando a 79%, em 2022, conforme apresentado na tabela ao final do indicador.

Em 2022, a Suzano contratou uma assessoria externa especializada com o objetivo de ampliar a capacidade interna de análise e gestão de riscos físicos e de transição em diferentes cenários climáticos, abrangendo as operações florestais, industriais e logísticas, bem como alguns fornecedores críticos, totalizando 50 localidades. O trabalho em curso também deverá promover avanços no processo de quantificação financeira dos riscos mapeados e na governança climática. Aliando isso ao uso da precificação interna de carbono para mensuração de impactos de projetos e gestão do risco de transição para um futuro mercado de carbono fez a nossa pontuação no campo da Estratégia e Gestão de Riscos e Oportunidades aumentar.

Considerando o desenvolvimento contínuo de uma abordagem estratégica para gerenciar riscos e oportunidades relacionados ao clima e os resultados dos estudos desenvolvidos em 2022, estas práticas serão incorporadas nos negócios da Suzano ao longo de 2023.


Governança

O Conselho de Administração é responsável por supervisionar a estratégia de sustentabilidade, incluindo aspectos de mudanças climáticas, apoiado pelo Comitê de Sustentabilidade, órgão colegiado de assessoramento e instrução, responsável por definir a estratégia de gestão em mudanças climáticas, analisar e acompanhar três vezes ao ano a implementação dos objetivos, indicadores e metas definidos.

Em 2022, parte da remuneração variável da Diretoria Executiva foi atrelada a metas de sustentabilidade, com o CEO e cinco diretores(as) comprometidos(as) com metas relacionadas ao clima. 

As mudanças climáticas e seus potenciais efeitos são considerados um dos riscos prioritários para a Suzano em nível corporativo. Nesse sentido, possui um sistema próprio estruturado de avaliação, tratamento (ou seja, resposta ao risco), monitoramento e reporte. A área de Gestão de Riscos acompanha a evolução e mitigação dos riscos prioritários por meio da definição de planos de ação e controles, com reporte à Diretoria pelo menos uma vez ao ano. 

Em 2022, o Comitê de Investimentos passou a considerar critérios de sustentabilidade, incluindo mudanças climáticas, na avaliação de projetos de modernização industrial. 

Por ser um tema material para a companhia, várias Diretorias Executivas e departamentos têm responsabilidade direta em relação às mudanças climáticas. Isso inclui as áreas de Sustentabilidade e Comunicação, Operações Florestais, Industriais e Logísticas, Novos Negócios, Pesquisa e Desenvolvimento, Planejamento Estratégico, Recuperação e Utilidades, Gestão de Riscos, entre outras. 

Além disso, em 2022, lançamos a Política Corporativa de Mudanças Climáticas para orientar nossos(as) colaboradores(as) sobre os valores do negócio e alinhar comportamentos em direção a um objetivo comum. Os princípios de mudanças climáticas descritos na Política visam garantir ações de mitigação para reduzir e remover gases do efeito estufa (GEE) da atmosfera e maximizar os impactos positivos da empresa, além de desenvolver ações de adaptação aos efeitos das mudanças climáticas. O objetivo da Política é confirmar o compromisso da empresa no combate às mudanças climáticas, rumo à transição para uma economia de baixo carbono, e contribuir para um futuro resiliente para a sociedade.

 

Engajamento e Conscientização

Externamente, a companhia fortalece o diálogo e a parceria com governos, empresas, organizações não governamentais, associações e academia por meio da participação ativa em fóruns e grupos de trabalho. Em 2022, traçou uma ampla estratégia de engajamento na Conferência do Clima das Nações Unidas, a COP27. Nosso principal objetivo era engajar o setor empresarial e influenciar políticas climáticas positivas, como mercados de carbono e impulsionar a agenda de carbono neutro e até carbono positivo. 

No âmbito interno, a Suzano criou Grupos de Trabalho (GT) multidisciplinares. O GT de Engajamento e Influência Climática é responsável pelo monitoramento de regulações e acordos, bem como de metodologias de contabilização de emissões e remoções.  Já o GT ESG busca promover discussões sobre sustentabilidade que requerem o engajamento da Diretoria de Finanças, como a implementação das Diretrizes da TCFD.

Para saber mais do envolvimento da Suzano em iniciativas, acesse o indicador “Participação em Associações”.


Estratégia 
É nítido que os recursos naturais se tornam cada vez mais escassos. O futuro depende da nossa capacidade de inovar e da responsabilidade em otimizar o uso dos recursos disponíveis. Esse cenário representa oportunidades para Suzano e, com base nele, definimos a nossa visão estratégica de longo prazo:

  1. Continuar a ser referência no setor em eficiência, rentabilidade e sustentabilidade da floresta ao cliente, 
  2. Ser agente transformador na expansão em novos mercados para a biomassa, 
  3. Ser referência em soluções sustentáveis e inovadoras para a bioeconomia e serviços ambientais, a partir da árvore plantada. 

Na Suzano, inovação e sustentabilidade andam de mãos dadas para transformar matéria-prima renovável proveniente de árvores em bioprodutos ​​para bilhões de consumidores em mais de 100 países. Com mais de 90 anos de experiência, atuamos principalmente nos segmentos de celulose (papéis grade e fluff) e papéis (papel-cartão, imprimir e escrever e tissue). Além disso, a estratégia de bioeconomia da Suzano está totalmente alinhada às tendências e demandas mundiais por soluções renováveis para uma economia de baixo carbono nas seguintes áreas prioritárias: 

  • Lignina;
  • Bio-petróleo;
  • Nanocelulose;
  • Biocompósitos.

Essas áreas representam oportunidades de substituição de produtos de base fóssil, que possuem maior consumo de energia e água. 

Em nossa ambição de "expandir com ousadia para novos segmentos" (horizonte de tempo de cinco a 10 anos), parcerias para substituir o plástico de uso único e a parceria com a startup finlandesa Spinnova, para produção de fibra têxtil a partir de celulose microfibrilada (MFC), obtida a partir de eucalipto plantado no Brasil, são exemplos relevantes de oportunidades sendo capturadas para a Suzano.

Com uma das maiores áreas florestais do mundo, a Suzano entende seu papel no combate às mudanças climáticas. Juntas, florestas nativas e plantações de eucalipto contribuem diretamente para a remoção e armazenamento de carbono (CO₂) da atmosfera. Por isso, estamos comprometidos em fazer mais do que neutralizar as emissões diretas e indiretas de nossa cadeia de valor. Nosso objetivo é remover quantidades adicionais significativas de carbono da atmosfera, mitigando assim os efeitos da crise climática global. 

 

Gestão de Riscos e Oportunidades

As mudanças climáticas e seus potenciais efeitos são considerados um dos riscos prioritários para a Suzano em nível corporativo. Nesse sentido, possui um sistema próprio estruturado de avaliação, tratamento (ou seja, resposta ao risco), monitoramento e reporte. 

A companhia possui uma estrutura dedicada à gestão de riscos corporativos, incluindo os riscos relacionados às mudanças climáticas, com metodologias, ferramentas e processos próprios que visam garantir a identificação, a avaliação e o tratamento dos seus principais riscos de curto, médio e longo prazos. Tal estrutura, através da sua sistemática de gestão, permite o monitoramento contínuo dos riscos e seus eventuais impactos, o controle das variáveis envolvidas e a definição e implementação de medidas mitigatórias, que visam reduzir as exposições identificadas. A avaliação da empresa sobre os potenciais impactos físicos das mudanças climáticas, bem como decorrentes da transição para uma economia de baixo carbono, é efetuada de forma contínua e seguirá evoluindo.

Incorporamos os riscos relacionados ao clima em todo o processo de Enterprise Risk Management (ERM). Como parte do processo de monitoramento contínuo dos riscos climáticos, desenvolvemos planos de ação com foco na mitigação dos impactos de médio e longo prazos das Mudanças Climáticas, sendo as ações críticas reportadas periodicamente à Diretoria Executiva e ao Conselho de Administração.

O processo de gestão de riscos também inclui abordagens específicas no nível operacional. Um exemplo é a modelagem de cenários de mudanças climáticas e monitoramento de indicadores pela equipe técnica de Pesquisa e Desenvolvimento. Esses dados são usados ​​para calibrar os modelos de planejamento de colheita e plantio e para revisar a avaliação dos riscos climáticos correlatos para definir novos planos de ação específicos, quando necessário.

 

Análise de cenários climáticos

Riscos Físicos: podem influenciar o planejamento de abastecimento de madeira, operações de silvicultura, bem como direcionamentos estratégicos de projetos de inovação. O mapeamento de riscos contempla quatro cenários de aquecimento global do Intergovernmental Panel on Climate Change - IPCC (SSP1-2,6; SSP2- 4,5; SSP3 – 7,0 e SSP5 – 8,5) e quatro períodos futuros (2021-2040, 2041 – 2060, 2061 – 2080, 2081 – 2100), considerando nove modelos climáticos globais. 

A análise do risco climático é realizada por meio de modelos estatísticos. Na produtividade florestal, utilizamos o modelo 3-PG (Physiological Processes Predicting Growth), uma ferramenta reconhecida cientificamente calibrada para nossas condições ambientais. Por meio dessa modelagem, são realizadas estimativas de impactos considerando os cenários de mudanças climáticas e análises decorrentes dos eventos de El Niño e La Niña nos últimos 102 anos. 

A determinação desses potenciais impactos é essencial para o negócio e vem sendo realizada há anos. Em 2006, por exemplo, mensuramos o aumento de CO₂ na maioria dos genótipos plantados, por meio de diversas variáveis ​​fisiológicas nas árvores. Em 2009, a Suzano atualizou a sua base de dados por meio de três modelos globais (HAD, CSIRO e PCM), baseados nos cenários do IPCC (A1, B1, A2 e B2). O estudo foi revisitado em 2015, quando os (as) pesquisadores(as) avaliaram e identificaram riscos em ambos os cenários (RCP 2.6 e RCP 8.5).

Investimos em pesquisa e desenvolvimento a fim de implementar inovações ao longo da cadeia de valor, com foco na adaptação e mitigação aos efeitos climáticos atuais e futuros. Os projetos em curso buscam ampliar a resiliência de clones florestais às adversidades climáticas, bem como a tolerância a pragas e doenças; e desenvolver ferramentas para diagnóstico precoce desses impactos. Realizamos análises cada vez mais sofisticadas com o uso de inteligência artificial, big data & analytics, para alcançar um manejo ainda mais sustentável de florestas no contexto de mudanças climáticas.

Indicadores climáticos são utilizados para calibrar modelos de planejamento de colheita e plantio, a fim de mitigar possíveis perdas de produtividade, otimizar a produtividade florestal e auxiliar em investimentos e outras decisões estratégicas. A Suzano conta por exemplo, com a maior base genética privada de eucalipto do mundo e uma extensa base de monitoramento climático para mitigar e monitorar efeitos do clima. 

Riscos de transição: a Suzano avalia continuamente possíveis riscos de transição climática que possam impactar as operações, como riscos políticos, jurídicos ou mesmo de mercado e reputacionais. 

Apesar de ter um dos melhores desempenhos do setor em termos de intensidade de carbono por produto fabricado e um dos melhores desempenhos projetados para 2030, entendemos que a competitividade no mercado global também dependerá de maiores ambições e esforços para reduzir as emissões de gases do efeito estufa (GEE). Para isso, além de nos comprometermos a desenvolver uma meta de SBTi alinhada a um cenário de 1,5°C, temos avaliado nossas projeções de emissões de GEE até o final desta década em diferentes cenários de descarbonização e por meio de diferentes ferramentas: 

  • 1,5°C, desenvolvido pela Science-Based Target Initiative (SBTi) usando o Relatório Especial do IPCC sobre o Aquecimento Global de 1,5°C; 
  • Ferramenta Transition Pathway Initiative (TPI), que utiliza os cenários 2DS e B2DS desenvolvidos pela Agência Internacional de Energia (IEA); 
  • Metodologia da iniciativa Assessing Low Carbon Transition (ACT), que utiliza os cenários B2DS e NZE 2050 da IEA. 

Nesse último, avaliamos não apenas a intensidade carbônica de toda a nossa operação e a trajetória das emissões por tipo de produto produzido, mas também a geração de calor, vapor e eletricidade por meio de tecnologias alinhadas ao baixo carbono em nossas indústrias, bem como nossos investimentos materiais e intangíveis em mitigação de baixo carbono, tecnologias e produtos de baixo carbono nos próximos anos. 

Em relação ao impacto negativo, utilizamos a precificação do carbono (preço sombra) tanto no processo de análise de novos projetos quanto para quantificar o risco de um futuro imposto sobre o carbono ou mecanismo de mercado regulado sobre nossas emissões totais.

Usamos diferentes fontes de dados em nossa modelagem de cenários de preços para estabelecer preços internos de carbono para diferentes áreas que, por sua vez, têm diferentes contextos, como industrial (Escopo 1 e 2), logística rodoviária e marítima (Escopo 3) e plantio de florestas (remoções de Escopo 1). A modelagem considera como referência os preços dos impostos de carbono praticados na América Latina, os preços atuais dos mercados internacionais de carbono regulamentados e voluntários, bem como as projeções de preços para as próximas décadas estimadas por diferentes instituições como a Partnership for Market Readiness (PMR Brasil) do Banco Mundial, Agência Internacional de Energia (IEA), Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA), Reino Unido.

Em relação aos riscos políticos e legais, temos acompanhado discussões sobre o estabelecimento de um mercado regulado de carbono no Brasil, bem como de consultas públicas de novos esquemas internacionais, como o Carbon Border Adjustment Mechanism (CBAM), parte do Europe Union Green Deal.

 

Riscos Mapeados

Os ativos da Suzano - os ativos biológicos, que são mensurados ao valor justo, os ativos imobilizados e intangíveis - podem ser impactados por mudanças climáticas. 

A Administração considerou os principais dados e premissas de riscos destacados a seguir: 

  1. Eventuais impactos na determinação do valor justo nos ativos biológicos em virtude de: efeitos de mudanças climáticas, como a elevação de temperatura e escassez de recursos hídricos, podem impactar em algumas premissas utilizadas em estimativas contábeis relacionadas com os ativos biológicos da companhia, conforme abaixo:
    1. Perdas de ativos biológicos devidos a incêndios e a impactos oriundos de maior presença e resistência de pragas e outras doenças florestais favorecidas pelo aumento gradual de temperatura;
    2. Redução de produtividade e de crescimento esperado (IMA) devido à diminuição de disponibilidade de recursos hídricos em bacias e outros eventos climáticos atípicos como estiagens, geadas e chuvas torrenciais;
    3. Interrupção na cadeia produtiva por eventos climáticos adversos.
  1. Escassez de recursos hídricos na indústria: embora as nossas unidades sejam eficientes no uso da água, há planos de contingência para todas as unidades afetadas por eventual escassez hídrica e planos de ação para enfrentamento da crise hídrica nas regiões críticas;
  1. Mudanças estruturais na sociedade e seus impactos nos negócios, tais como:
    1. Regulatórias e legais: decorrentes de alterações em âmbito brasileiro e/ou internacional que demandem investimento de capital em novas tecnologias e/ou custos de operação. Entre os temas esperados estão a precificação de carbono, a taxação de carbono aduaneiro, barreiras e/ou restrições comerciais relacionadas à suposta contribuição, mesmo que indireta, para intensificação das mudanças climáticas, que aumentem o risco de litígio;
    2. Tecnológicas: decorrentes do surgimento de melhorias e inovações na direção de uma economia com maior eficiência energética e de baixo carbono;
    3. De mercado: decorrentes de mudanças na oferta e demanda de certos produtos e serviços à medida em que questões relacionadas ao clima passam a ser consideradas nas tomadas de decisão;
    4. Reputacionais: relacionadas à percepção dos clientes e da sociedade de maneira geral em relação à contribuição positiva ou negativa de uma organização para uma economia de baixo carbono.

 

Cumprimento de cláusulas contratuais relacionadas à sustentabilidade em títulos de dívida e empréstimos sustentáveis (Sustainability Linked Bonds – SLB e Sustainability Linked Loans – SLL)

A Suzano emitiu títulos de dívida e empréstimos atrelados a metas de performance de sustentabilidade (Sustainability Performance Targets – SPT) relacionadas à intensidade de nossas emissões de gases do efeito estufa, à intensidade da captura de água para utilização em processos industriais e ao percentual de mulheres em cargos de liderança. O não atingimento dessas metas pode gerar incremento futuro no custo das referidas dívidas, conforme previsto nos respectivos contratos.

A Suzano é uma das maiores emissoras do mundo de Sustainability Linked Bonds (SLB), um instrumento financeiro que tem como característica vincular o custo do recurso captado com investidores(as) ao cumprimento de compromissos de sustentabilidade. Em 2020, a companhia emitiu o seu primeiro título baseado nos SLB Principles, tornando-se a segunda empresa do mundo e a primeira das Américas a realizar uma emissão desse tipo. Em 2021, a Suzano emitiu dois novos títulos baseados nesse mecanismo e, pela primeira vez, atrelou, além de uma meta ambiental, uma meta social – no caso, uma meta de diversidade, equidade e inclusão. O seu primeiro Sustainability Linked Loan (SLL) foi contratado em 2021 e, em 2022, a empresa contratou um novo empréstimo com a International Finance Corporation (IFC), seguindo as diretrizes dos SLL Principles

 

Oportunidades

Devido ao grande volume de remoção de CO₂ por eucalipto e floresta nativa, a Suzano vislumbra um potencial fornecimento de créditos de carbono para serem comercializados para empresas e instituições que desejam compensar suas emissões e cumprir suas metas climáticas. As equipes de Carbon Business e Corporate Venture e New Business são responsáveis pelo desenvolvimento dessas oportunidades internamente.

Outra oportunidade identificada em nosso negócio é o reaproveitamento da biomassa e dos resíduos de madeira do processo produtivo para gerar uma parcela significativa de nossas necessidades energéticas. Aproximadamente 88,1% de toda a operação e matriz energética (que envolve floresta, indústria, logística etc.) é proveniente de combustíveis renováveis (como licor negro e biomassa) e os 11,9% restantes, de recursos não renováveis (como gás natural e óleo combustível). Somos autossuficientes nas unidades de Aracruz (ES), Imperatriz (MA), Mucuri (BA) e Três Lagoas (MS) em termos de necessidades de energia, e vendem energia excedente para a rede. Em 2022, 1.509.949,59 MWh (1500 GWh) de energia elétrica renovável foram fornecidos à rede pública a partir dessas unidades. Esse excedente de energia comercializado pode ser objeto de certificação internacional de energia renovável, o chamado “I-REC (Renewable Energy Certificate)”. Em 2022, as vendas de I-RECs totalizaram R$ 411.776,54.

Atuamos em toda a nossa cadeia para garantir eficiência de recursos, redução de desperdícios e impactos ambientais – desde as mudas de eucalipto até o produto final. Mas vamos além: buscamos o diálogo e a visão de sustentabilidade no relacionamento com nossos(as) colaboradores(as) e clientes, parceria com fornecedores e processos financeiros. Para fortalecer o relacionamento da Suzano com seus fornecedores e incentivá-los a assumir compromissos conjuntos de redução de emissões, em 2021, a Suzano iniciou o programa do CDP Supply Chain. Foram convidados os 100 fornecedores mais críticos mapeados na Matriz de Risco Socioambiental para integrar o Programa. No primeiro, ciclo em 2021, obtivemos 78% de engajamento, resultado consideravelmente superior à média de 67% dos demais participantes do CDP Supply Chain. No segundo ciclo, em 2022, tivemos 91% de adesão, uma evolução de 31% em relação ao primeiro ciclo, superando o engajamento global das 280 empresas membros. Além da continuidade do Programa, tivemos sessões de engajamento com nossos fornecedores, a fim de apoiá-los a dar mais passos em sua estratégia de mudanças climáticas e no estabelecimento de metas e ações para redução de emissões de GEE. 

A área de Logística também vem trabalhando para encontrar alternativas tecnológicas de baixo carbono para o transporte e distribuição dos nossos produtos, o maior desafio para reduzir as emissões da nossa cadeia de valor.

E vinculado à Estratégia da Suzano, a ampliação da oferta de produtos atuais e novos produtos com baixa intensidade carbônica que podem substituir outros de origem fóssil se amplia em um cenário de busca pelos nossos clientes de soluções para suas estratégias de descarbonização.


Métricas e Metas

A Suzano divulga mais de cem indicadores utilizados para avaliar riscos e oportunidades climáticas, incluindo as emissões e remoções de GEE nos Escopos 1, 2 e 3, calculadas em linha com a metodologia do GHG Protocol. Parte dessas métricas também está incorporada a indicadores de performance operacional, com metas específicas a serem atingidas. 

Dentre os 15 Compromissos para Renovar a Vida - nossas metas de longo prazo -, dois compõem a frente de combate às mudanças climáticas:

  • Remover de 40 milhões de toneladas de CO₂ equivalente de 2020 a 2025; e
  • Reduzir a intensidade das emissões de carbono (Escopos 1 e 2) por tonelada de produto produzido (tCO₂e/t) em 15% até 2030.

Entretanto, outras metas contribuem com a agenda climática, à medida em que podem contribuir para a substituição de produtos fósseis:

  • Ofertar 10 milhões de toneladas de produtos renováveis que possam substituir plásticos e derivados do petróleo até 2030;
  • Aumentar em 50% a exportação de energia renovável até 2030;

Em 2022, parte da remuneração variável da Diretoria Executiva foi atrelada a metas de sustentabilidade, com o CEO e cinco diretores(as) comprometidos(as) com metas relacionadas ao clima.  

Desde a adesão ao Science Based Target Initiative (SBTi), em 2021, a Suzano trabalha no estabelecimento de uma meta de redução de emissões de GEE alinhada ao cenário de 1,5°C. Esse esforço deverá contemplar emissões diretas e da cadeia de valor (Escopo 3). 

Vale mencionar que a meta atual (redução de 15% da intensidade de emissões) é aderente à ciência e em conformidade com o Acordo de Paris, segundo três metodologias: Transition Pathway Initiative (TPI), Baringa e Truecost

Em relação às métricas, o sistema de gestão ambiental da Suzano inclui uma série de métricas relacionadas à emissão e à captura de GEE, restauração florestal, captação e consumo de água, consumo e autogeração de energia, além de geração e destinação de resíduos. 

Abaixo estão as métricas monitoradas por tema.

Biodiversidade 

  1. Área de floresta em habitat de espécies ameaçadas de extinção.
  2. Área própria, arrendada ou administrada dentro de áreas protegidas, ou adjacente a elas, e áreas de alto índice de biodiversidade fora de áreas protegidas.
  3. Compromisso com a Conservação da Biodiversidade.
  4. Compromisso com o Desmatamento Zero.
  5. Compromissos e Parcerias.
  6. Espécies incluídas na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, em inglês) e em listas nacionais de conservação com hábitats situados em áreas afetadas por operações da organização por bioma.
  7. Espécies incluídas na Lista Vermelha da IUCN e em listas nacionais de conservação com hábitats situados em áreas afetadas por operações da organização por nível de risco e extinção.
  8. Gestão sobre biodiversidade nas operações florestais.
  9. Hábitats protegidos por tipo.
  10. Hábitats protegidos por tipo de habitat.
  11. Impactos significativos de atividades, produtos e serviços sobre a biodiversidade.
  12. Localização e tamanho da área própria, arrendada ou administrada dentro de áreas protegidas, ou adjacente a elas, e áreas de alto índice de biodiversidade fora de áreas protegidas.
  13. Monitoramentos de Fauna Flora (Casa da Floresta).
  14. Número total de áreas próprias, arrendadas ou administradas dentro de áreas protegidas, ou adjacente a elas, e áreas de alto índice de biodiversidade fora de áreas protegidas.
  15. Número total de espécies encontradas nos monitoramentos.
  16. Número total de espécies encontradas nos monitoramentos por tipo.
  17. Tamanho total das Áreas de Alto Valor para Conservação (AAVC).
  18. Tamanho total de áreas em processo de restauração.
  19. Total de áreas mantidas pela Suzano por tipo de uso de solo.
  20. Total de áreas para fomento por tipo de uso de solo.
  21. Restauração e combate a incêndios.
  22. Número de focos de incêndios nas áreas da Suzano.
  23. Total de áreas de conservação atingidas por incêndios, em hectares.
  24. Total de áreas de plantio atingidas por incêndios em hectares.
  25. Número total de áreas em processo de restauração.
  26. Número total de mudas plantadas para a restauração. 
  27. Porcentagem da área verificada por terceiros como estando em conformidade legal. 
  28. Programa de Restauração Ecológica. 
  29. Programas Nascentes do Mucuri. 
  30. Tamanho das áreas com processo de restauração iniciado. 

Água 

  1. Consumo de água nas operações industriais.
  2. Porcentagem de água retirada nas operações florestais em áreas de estresse hídrico. 
  3. Porcentagem de água retirada nas operações industriais em áreas de estresse hídrico. 
  4. Porcentagem do consumo de água de fontes alternativas de água (água da chuva, esgoto, água cinza, entre outros).
  5. Consumo específico de água nas operações industriais.
  6. Retirada de água por fonte nas operações florestais.
  7. Retirada de água por fonte nas operações industriais. 
  8. Porcentagem de água reciclada ou reutilizada nas operações industriais.
  9. Consumo de água nas operações industriais em áreas de estresse hídrico. 
  10. Retirada de água por fonte nas operações florestais em áreas de estresse hídrico. 
  11. Retirada de água por fonte nas operações industriais em áreas de estresse hídrico. 
  12. Porcentagem de água consumida nas operações industriais em áreas de estresse hídrico. 

Emissão e captura de GEE 

  1. Emissões biogênicas de CO₂ (Escopo 1). 
  2. Emissões biogênicas de CO₂ (Escopo 3).
  3. Emissões de gases de efeito estufa (GEE) e metodologia.
  4. Emissões diretas de GEE (Escopo 1).
  5. Emissões diretas de GEE (Escopo 1) por categoria.
  6. Emissões diretas de GEE (Escopo 1) por tipo.
  7. Emissões indiretas de GEE (Escopo 2). 
  8. Gestão sobre emissões de GEE nas operações florestais, industriais e logísticas.
  9. Intensidade de emissões de GEE (Escopos 1 e 2) por tonelada de produto.
  10. Intensidade de emissões de GEE (Escopos 1, 2 e 3) por receita líquida.
  11. Intensidade de emissões de GEE (Escopos 1, 2 e 3) por tonelada de produto. 
  12. Outras emissões indiretas de GEE (Escopo 3).
  13. Outras emissões indiretas de GEE (Escopo 3) por categoria.
  14. Outras emissões indiretas de GEE (Escopo 3) por categoria – segregação da categoria de transporte e distribuição. 
  15. Práticas e iniciativas para reduzir a intensidade de emissões.

Energia 

  1. Consumo de combustíveis de fontes não renováveis. 
  2. Consumo de combustíveis de fontes renováveis.
  3. Energia consumida fora da organização. 
  4. Energia consumida por tipo. 
  5. Energia vendida (exportada) por tipo.
  6. Gestão sobre energia.
  7. Grau de renovabilidade da matriz energética.
  8. Intensidade energética. 
  9. Porcentagem de eletricidade da rede, de biomassa e de outras energias renováveis.
  10. Reduções de consumo de energia obtidas decorrência de melhorias na conservação e eficiência. 
  11. Total de energia consumida. 

Gestão de resíduos 

  1. Geração de resíduos não perigosos nas operações industriais. 
  2. Geração de resíduos perigosos nas operações industriais. 
  3. Gestão sobre resíduos sólidos nas operações florestais. 
  4. Gestão sobre resíduos sólidos nas operações industriais. 
  5. Resíduo enviado para célula de aterro nas operações industriais. 
  6. Resíduos destinados para disposição nas operações florestais. 
  7. Resíduos destinados para disposição nas operações industriais. 
  8. Resíduos gerados nas operações florestais. 
  9. Resíduos gerados nas operações industriais. 
  10. Resíduos não destinados para disposição nas operações florestais. 
  11. Resíduos não destinados para disposição nas operações industriais. 
  12. Resíduos não perigosos destinados para disposição por operação de disposição nas operações florestais. 
  13. Resíduos não perigosos destinados para disposição por operação de disposição nas operações industriais. 
  14. Resíduos não perigosos recuperados por operação de recuperação nas operações florestais. 
  15. Resíduos não perigosos recuperados por operação de recuperação nas operações industriais. 
  16. Resíduos perigosos destinados para disposição por operação de disposição nas operações florestais. 
  17. Resíduos perigosos destinados para disposição por operação de disposição nas operações industriais. 
  18. Resíduos perigosos recuperados por operação de recuperação nas operações florestais. 
  19. Resíduos perigosos recuperados por operação de recuperação nas operações industriais. 
  20. Total de resíduos gerados na Suzano. 

Crédito de Carbono 

  1. Mercado de carbono. 
  2. Diretrizes para a geração de um crédito.
  3. Os créditos de carbono na Suzano. 
  4. Projetos de geração de créditos da Suzano. 
  5. KPIs relacionados com crédito de carbono. 

Economia Circular 

  1. Estratégias para reduzir o impacto ambiental da embalagem ao longo de seu ciclo de vida. 
  2. Porcentagem de fibra reciclada adquirida e utilizada nos produtos. 
  3. Receita de produtos reutilizáveis, recicláveis e/ou biodegradáveis. 
  4. Volume de fibra reciclada adquirida, por segmento de produto. 
  5. Volume de fibra reciclada e/ou recuperada por segmento de produto. 
  6. Volume de fibra recuperada por segmento de produto. 
  7. Volume total de fibra reciclada e/ou recuperada por unidade de negócio.

 

  1.  https://www.fsb-tcfd.org/about/ 
  2. https://www.accountingforsustainability.org/content/dam/a4s/corporate/home/KnowledgeHub/Guide-pdf/TCFD%20Recommendations%20Maturity%20Map.pdf.downloadasset.pdf

Percentual de atendimento do TCFD por área

2019202020212022
% % % %

Governança

13,00%

42,00%

75,00%

75,00%

Estratégia

17,00%

46,00%

73,00%

81,00%

Metas e Métrica

50,00%

67,00%

82,00%

82,00%

Gestão de Riscos e Oportunidades

25,00%

50,00%

75,00%

78,00%

Total

25,00%

50,00%

76,00%

79,00%