contexto

Estamos trabalhando para diminuir a concentração de Gases de Efeito Estufa (GEEs) na atmosfera. Dentre alguns gases que causam o efeito estufa o principal é o gás carbônico (CO₂), utilizado como medida padrão para o crédito de carbono. Por isso, uma tonelada de CO₂ e não emitida ou removida da atmosfera é equivalente a um crédito de carbono.

Para termos um crédito de carbono certificado é necessário desenvolver um Projeto de Crédito de Carbono. Este projeto deve seguir uma metodologia específica e deve respeitar os critérios de elegibilidade. Os principais critérios são: 

  • Adicionalidade: É um dos critérios considerados para definir a elegibilidade ou não de um crédito de carbono. Demonstrar a adicionalidade de um projeto significa demonstrar que o projeto vai além das práticas usuais (BAU - business as usual), ou seja, que as atividades previstas no projeto têm, como finalidade específica, os benefícios ao serviço ambiental e/ou social e que não seriam normalmente executadas, caso o projeto não fosse implementado.  A adicionalidade de um projeto não pode ser precisamente calculada, mas alguns sistemas de certificação indicam alguns métodos para testá-la. Algumas metodologias de créditos de carbono trazem testes de adicionalidade, úteis para a elaboração do projeto. As metodologias mais modernas estabelecem uma área de controle para comparação e comprovação de que as atividades do projeto são adicionais;
  • Duração/Temporalidade: Para um projeto de crédito de carbono a longevidade é uma das coisas mais importantes, e está diretamente ligada com o tempo que a atividade desenvolvida - como por exemplo o cultivo florestal - vai sequestrar gás carbônico da atmosfera. Quando falamos de projetos de emissões evitadas, a mudança de processo realizada, na maioria das vezes, durará por muitos anos, porém os padrões metodológicos estabelecem um limite para emissão de créditos de carbono;
  • Dispersão/Vazamento: Especialmente para os projetos que envolvam o Uso da Terra, Mudança no Uso da Terra e Floresta é feita uma análise com relação ao deslocamento da atividade anterior ao projeto de crédito de carbono que era feito na área, ou seja, é necessário que a atividade de reflorestamento nesta área não implique desmatamento em outra;
  • Monitoramento: Na elaboração do projeto já é apresentado o plano de gestão das atividades propostas. Desta forma, é necessário fazer o acompanhamento das atividades operacionais e as respectivas informações geradas a partir de nossas bases de dados e as atividades propostas nos projetos de crédito de carbono. Esse monitoramento é considerado na verificação por terceira parte independente do projeto e da emissão do crédito de carbono.

 

Principais Padrões e Certificadoras
UNFCCC - Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL): O Mecanismo de Desenvolvimento Limpo foi o primeiro esquema global de crédito e investimento ambiental desse tipo, desenvolvido pela UNFCCC sob o Protocolo de Quioto (1997). Através do Acordo de Paris (2015), o MDL será descontinuado e substituído pelo Mecanismo de Desenvolvimento Sustentável estabelecido em Glasgow na COP26 (2021). A operacionalização deste novo mecanismo será definida e colocada em prática nos próximos anos.


Verra – Verified Carbon Standard (VCS): A Verra é uma instituição criada em 2005, reconhecida mundialmente por ser especialista em certificar projetos de créditos de carbono. Estabelece metodologias que comprovam o combate às mudanças climáticas através da remoção de gás carbônico ou redução de emissões de GEEs, além de adicionar requisitos que gerem benefícios complementares ao meio ambiente e a sociedade. A metodologia VCS é uma das mais utilizadas em todo o mundo e foi desenvolvida pelo Grupo do Clima da Associação Comercial Internacional de Emissões (IETA, sigla em inglês), o Fórum Econômico Mundial (WEF, sigla em inglês) e o Conselho Mundial de Empresas para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD, sigla em inglês).
 

Gold Standard: Estabelecido em 2003 pelo WWF e outras ONGs internacionais para garantir que projetos que reduzam as emissões de carbono sob o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) da ONU também contribuam para o desenvolvimento sustentável.
 

Social Carbon: Desenvolvido pelo Instituto Ecológica, entidade brasileira sem fins lucrativos, certifica projetos de redução de carbono por suas contribuições para o desenvolvimento sustentável.

Diretrizes para a geração de um crédito