contexto

O Relatório Anual 2022 e suas diferentes peças reúnem os principais resultados financeiros, sociais, ambientais e de governança da Suzano. A Suzano relatou Normas GRI para o período, metodologia para relatos adotada desde o nosso primeiro relatório anual. Também tem como referência os princípios que privilegiam a comunicação de geração de valor, com foco e concisão, além de equilíbrio entre os aspectos positivos e negativos do relato.

O documento tem também como base os frameworks do Sustainability Accounting Standards Board (SASB), para os setores de Papel e Celulose, Manejo Florestal e Recipientes e Embalagens, e da Task Force on Climate- Related Financial Disclosures (TCFD), e é inspirado nas Métricas do Capitalismo Stakeholder, do Fórum Econômico Mundial (WEF, em inglês). O Relatório é organizado, ainda, em linha com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) – 17 metas globais estabelecidas pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2015. 

Cada vez mais, as empresas são reconhecidas por valores que vão muito além dos aspectos financeiros. Partindo dessa premissa e inspirados em nosso propósito de renovar a vida a partir da árvore, entendemos que, mais do que mostrar nossas atividades e nosso desempenho no ano, é preciso apresentar nossa capacidade de transformação dentro do ecossistema de negócios do qual fazemos parte. Queremos ser protagonistas no desenvolvimento de soluções voltadas para a construção de uma sociedade mais justa e sustentável e, por isso, apresentamos os assuntos de acordo com sua relevância e com os impactos gerados para os nossos stakeholders

O documento passou também por asseguração limitada, conduzida pela PwC Brasil. Seguindo as orientações da GRI, a definição dos temas do documento reflete a materialidade da Suzano. Esta definição contempla o cruzamento dos temas relevantes para o negócio na perspectiva de nossos públicos de interesse e da análise sobre os impactos relacionados a esses temas.

Em 2021, o estudo de materialidade foi atualizado a partir dos conceitos mais atuais relacionados ao tema: Materialidade Dinâmica e Dupla Materialidade. A definição dos oito temas materiais para o nosso negócio e dos limites internos e externos de seus impactos estão detalhadas a seguir. 

 

  • Água: a fabricação de celulose e produtos de papel é tipicamente um processo de uso intensivo de água, com consumo durante o processamento de materiais, resfriamento do processo e geração de vapor em plantas de energia na unidade produtiva. A água de processo normalmente contém compostos orgânicos dissolvidos e outros sólidos, ressaltando a importância do seu tratamento. A disponibilidade de água é uma consideração importante para a indústria, pois a escassez pode resultar em maiores custos de abastecimento, interrupções de abastecimento ou tensão com os (as) usuários(as) locais. A escassez hídrica pode ser ainda mais crítica em se tratando das áreas florestais, podendo reduzir a produtividade florestal ou até gerar conflitos com comunidades vizinhas. No processo produtivo do eucalipto, uma grande porção dos recursos hídricos é convertida em biomassa em um espaço relativamente curto de tempo, o que pode ter um impacto sobre as fontes de água doce vizinhas, incluindo rios, lagos e aquíferos subterrâneos. 
    Subtemas: disponibilidade e acesso à água; efluentes; análise de risco hídrico; uso, demandas e dependência dos recursos hídricos; estresse hídrico; proteção de nascentes; diálogo (comunicação e conscientização) sobre água; monitoramento de parâmetros qualitativos e quantitativos e consumo e reutilização. 
    Limites: Internos: impacta nossas operações florestais, industriais e, indiretamente, o fornecimento de insumos; Externos: impacta diretamente as comunidades e vizinhança próxima de nossas operações e o meio em que vivemos. 

  

  • Biodiversidade: no Brasil, as plantações de eucalipto compreendem 2/3 de todas as florestas plantadas para silvicultura. As plantações de eucalipto têm sido um fator de desmatamento na Mata Atlântica, um hotspot da biodiversidade, e também apresentam risco para outros biomas, ainda que a maior parte das empresas não trabalhem mais com áreas desmatadas. Outros impactos na biodiversidade podem incluir: perda de hábitat; fragmentação dos biomas pelas ações antrópicas; afugentamento e atropelamento da fauna; alteração da vegetação nativa; perda de espécies da flora; alteração do microclima e alteração da paisagem. Por outro lado, juntamente com sua produção de madeira, as florestas fornecem valiosos serviços ecossistêmicos, incluindo sequestro de carbono, hábitat de vida selvagem, purificação e armazenamento de água, formação de solos e oportunidades recreativas. Proteger ou melhorar os serviços ecossistêmicos dentro das florestas manejadas poderia mitigar riscos que podem afetar a reputação, a demanda e os riscos operacionais relacionados com os potenciais impactos ambientais adversos da silvicultura. 
    Subtemas: combate ao desmatamento; biodiversidade; preservação, conservação e restauração; gestão da paisagem; controle de pragas e doenças; aplicação de agroquímicos; incêndios; serviços ecossistêmicos e certificação florestal. 
    Limites: Internos: impacta nossas operações logísticas e florestais; Externos: impacta as florestas. 

 

  • Desenvolvimento Territorial:  conflitos com comunidades, incluindo populações indígenas e tradicionais, podem afetar a capacidade de uma empresa de operar em algumas regiões, resultar em ações regulatórias e pode causar impactos reputacionais. Por outro lado, as empresas podem proporcionar benefícios às partes interessadas da comunidade por meio de oportunidades de emprego, compartilhamento de receita e aumento do comércio. As organizações podem adotar várias estratégias de engajamento comunitário para gerenciar os riscos e oportunidades associadas aos direitos da comunidade e seus interesses, tais como manter relações positivas com as partes interessadas locais e acomodar as necessidades das comunidades. 
    Subtemas: geração de renda; acesso à educação; estruturação da comunidade (ex.: cooperativas, associações); investimento social; capacitação e contratação de mão de obra local; mecanismos de diálogo contínuo e relacionamento e engajamento com comunidades. 
    Limites: Internos: impacta nossas operações florestais, industriais e logísticas; Externos: impacta as comunidades vizinhas às nossas operações. 

 

  • Direitos Humanos: são direitos inerentes a todos os seres humanos, independentemente da sua raça, sexo, nacionalidade, etnia, idioma, religião ou qualquer outra condição. Os direitos humanos incluem o direito à vida e à liberdade, liberdade de opinião e expressão, o direito ao trabalho e à educação, entre outros. No caso da Suzano e de empresas florestais, que ocupam grandes extensões de terra com a monocultura de eucalipto ou pinus, o direito de acesso aos recursos naturais e à terra, especialmente de comunidades tradicionais ou que vivem da terra, pode ser violado. Além disso, o trabalho forçado e/ou análogo à escravidão e o trabalho infantil ainda podem ser encontrados em plantações de eucalipto no Brasil, em particular naquelas plantações onde o eucalipto é utilizado para carvão vegetal na produção de ferro-gusa. Ao organizar o trabalho por meio de subcontratados, as empresas podem reivindicar a negação e nenhuma falha nas más condições de trabalho, além de realizar auditorias e certificar sua cadeia para reduzir riscos. 
    Subtemas: direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal; à liberdade de associação e negociação coletiva; à liberdade de opinião e expressão; ao trabalho e à livre escolha do trabalho; ao uso da terra, da água e de outros recursos naturais; inclui o combate ao trabalho forçado e à tortura e a violações dos direitos citados. 
    Limites: Internos: impacta nossas operações florestais e, indiretamente, as operações industriais, logísticas e o fornecimento de insumos; Externos: impacta a sociedade. 

 

  • Diversidade, Equidade e Inclusão: para a Suzano, trabalhar a diversidade, equidade e inclusão é, além de um dever, uma estratégia de negócio. Em um ambiente diverso e inclusivo, os (as) colaboradores(as) se sentem mais envolvidos(as), criativos(as), colaborativos(as), e as taxas de atratividade e retenção de novos talentos aumentam significativamente. O tema também deve ser considerado em todas as práticas da empresa, seja tratando de comunidades locais, seja na gestão de seus fornecedores ou desenvolvimento de novos produtos. Entre os impactos negativos da gestão do tema, podemos incluir os custos operacionais, os riscos reputacionais e a contribuição para maior desigualdade social. Da ótica positiva, a gestão apropriada do tema pode levar à igualdade de gênero e raça e à inclusão de pessoas historicamente excluídas. No contexto de um país como o Brasil, o combate ao machismo, ao racismo e às discriminações variadas passa pela promoção e valorização dessas minorias também no ambiente de trabalho. 
    Subtemas: valorização da força de trabalho; combate à discriminação; e diversidade e inclusão. 
    Limites: Internos: impacta nossas operações em toda a cadeia; Externos: impacta a sociedade. 

 

  • Gestão de Fornecedores: a rastreabilidade de um produto é uma ferramenta importante para garantir que, caso haja algum problema de qualidade, seja facilmente rastreável possibilitando recall. Para o setor florestal, ter a garantia (por uma certificadora) que a floresta da qual a matéria-prima é oriunda está sendo explorada de acordo com todas as leis vigentes e de forma correta do ponto de vista ecológico, social e econômico, diferencia o produto de outros similares e agrega valor (certificação FSC). Entre os impactos da gestão do tema, podemos incluir a proteção da marca; o controle de qualidade; agregar valor ao produto final; a produção de produtos florestais de forma sustentável, bem como a extensão das boas práticas à cadeia de custódia. Em termos negativos, os impactos podem incluir custos operacionais e/ou custos de remediação; não conformidades com as legislações; perda de biodiversidade; contaminação de recursos hídricos e violações aos direitos humanos. 
    Subtemas: desenvolvimento da cadeia de fornecimento local; rastreabilidade de materiais e insumos; gestão de práticas e impactos socioambientais na cadeia; cadeia de custódia; e critérios de fornecimento e homologação. 
    Limites: Internos: impacta indiretamente as nossas operações florestais e industriais. Diretamente, impacta o fornecimento de insumos e serviços logísticos; Externos: impacta indiretamente as comunidades e vizinhança próxima de nossas operações 

 

  • Inovabilidade: investimento contínuo em tecnologia e cultura de inovação que impulsione o desenvolvimento de soluções para os grandes desafios que a sociedade enfrenta, viabilizando a transição para a bioeconomia, são elementos centrais do tema, além de possibilitar maior vantagem competitiva. Já a junção de sustentabilidade ao tema pressupõe a capacidade de uma organização de inovar de forma sustentável e de alavancar a sustentabilidade como forma de inovação, novos negócios e diferenciação. Na Suzano, a inovabilidade está diretamente ligada à sua ambição de ser uma empresa regenerativa, que quer trazer produtividade para a sua cadeia, de ponta a ponta; gerar diferencial competitivo a partir das necessidades dos clientes e de novas formas de uso e aplicação de seus insumos e buscar novos negócios, soluções e produtos a partir da árvore, para um futuro mais renovável. 
    Subtemas: inovabilidade; Organismos Geneticamente Modificados (OGMs); produtividade; diversificação de negócios e novos produtos; bioeconomia; economia circular: produtos single use, soluções de fim de ciclo; e cultura de inovação. 
    Limites: Internos: impacta nossas operações em toda a cadeia; Externos: impacta a sociedade.

 

  • Mudanças Climáticas: a Suzano tem uma base florestal significativa e, juntos, as florestas nativas e os plantios de eucalipto contribuem diretamente para remoção e estoque de gás carbônico (CO₂) do ar, preservação da biodiversidade e regulação do ciclo hidrológico, entre outros benefícios. Ao mesmo tempo, a empresa tem atividades industriais e de logística caracterizadas por alta intensidade nas emissões de gases de efeito estufa (GEE). Isso coloca grande responsabilidade sobre seu papel para a mitigação e adaptação às mudanças climáticas, contribuindo com governos, sociedade civil e outros entes do setor privado para o enfrentamento deste desafio. 
    Subtemas: adaptação e mitigação diante das mudanças climáticas; balanço de emissões; consumo e venda de energia; economia de baixo carbono; emissões industriais e logísticas; risco de abastecimento de madeira; precificação de carbono; e parcerias colaborativas para combater a crise climática. 
    Limites: Internos: impacta nossas operações industriais, logísticas e comercialização; Externos: impacta a sociedade e florestas.